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Review – Alan Wake: Terrou ou Aventura?

Protagonista fraco e indecisão de gênero marcam game que tinha um grande potencial.

250px-Alan_WakeFicha Técnica: 

Alan Wake

Lançamento: Maio de 2010

Desenvolvedor: Remedy Entertainment

Modo: Jogo eletrônico para um jogador

Plataforma: Xbox 360, Microsoft Windows

Estúdio: Remedy Entertainment, Microsoft, Microsoft Studios, Nordic Games

Gênero: Ação-aventura, Survival horror, Tiro em terceira pessoa

Alan Wake foi lançado como um dos principais games exclusivos para o Xbox 360 em maio de 2010. Na época, foi extremamente bem recebido pela crítica, venceu alguns prêmios e até mesmo ganhou rumores sobre uma suposta sequência.

Desde sempre tive vontade de experimentar a aventura proporcionada por esse jogo, mas nunca surgiu a oportunidade, até esse ano de 2016. Isso porque em 2012, o game ganhou uma versão para Windows, com gráficos melhorados, embora o conteúdo seja exatamente o mesmo da versão para o 360. Eis que, navegando pela Steam em uma daquelas gigantescas promoções, encontro o jogo pela bagatela de R$ 7,99. Não pensei duas vezes antes de colocar no carrinho de compras.

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Começamos conhecendo Alan, um famoso escritor de best-sellers de terror e ficção que se encontra em uma terrível fase criativa, ao completar quase dois anos sem desenvolver sequer um manuscrito. Assim, ele e sua esposa Alice decidem fazer uma viagem até a pequena cidade de Bright Falls, na esperança de que Alan recobre sua típica inspiração para relatar contos de assombração. Não direi muito mais que isso pois considero qualquer coisa a partir dessa pequena introdução um indício de fortes spoilers.

De início, o jogo até impressiona. O clima de tensão é muito impactante nos dois primeiros capítulos. A sensação de “vai dar ruim” te acompanha o tempo inteiro, e é praticamente impossível não tomar alguns sustos com luzes piscando e estranhas pessoas saindo às avessas de trás de alguns móveis presentes no ambiente. Após o decorrer do principal acontecimento da trama, somos apresentados ao sistema de combate que é bem simples, porém intuitivo e funcional. A empolgação sobe à cabeça e, até o fim do capítulo dois, o jogador chega a pensar que realmente pode estar à frente de uma obra prima épica… E é aí que as frustrações começam a aparecer.

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O problema é que a partir do capítulo 3, o jogo se perde completamente. Alan Wake não consegue definir se é um game de survival horror ou se é um típico adventure. O pior é que não consegue ser nem um, nem outro. Os combates se tornam extremamente cansativos, uma vez que não existem variações de inimigos, nem aprimoramento de armas ou habilidades. Tudo fica tão repetitivo que simplesmente fica impossível se assustar com os vultos projetados pra fora dos troncos das árvores de densas florestas. A estória, que seria um dos pontos fortes do jogo, fica um tanto quanto confusa e desvenda os principais mistérios do enredo de uma forma muito rasa e pouco impactante. Além disso, Alan Wake pode ser considerado como um dos piores protagonistas da história dos videogames. Simplesmente chega um momento que dá nos nervos controlar um ser humano tão sem personalidade e sem expressão como este. Quem dera se tivéssemos um Mario Bros ou um Kratos em todos os jogos que colocássemos a mão.

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Contudo, os gráficos e cenários do jogo são bem bacanas, principalmente se levarmos em conta o seu ano de lançamento. As texturas e sombras são muito bem trabalhadas e auxiliam positivamente o clima de medo e de tensão proposto pelos desenvolvedores (repito, ao menos no início da trama). O problema é que a física do jogo é péssima, e a interação de Alan com os objetos do cenário é pífia. Parece que uma coisa ou outra não era para estar ali e você sente estar jogando algo que foi lançado na correria sem qualquer indício de polimento. Esse fato fica ainda mais evidente nas poucas partes em que precisamos dirigir alguns automóveis, uma vez que os movimentos são completamente travados e a mecânica extremamente dura e difícil.

Portanto, Alan Wake é um jogo com um incrível potencial, mas que não conseguiu mostrar a que veio. Os pontos mais fortes do jogo (enredo e clima de tensão) se perdem rapidamente, uma vez que todas as ações e “puzzles” (se é que podemos chamar assim, pois são uma ofensa à inteligência do jogador) são exatamente iguais, o que torna a repetição sempre presente.

A tentativa de mescla entre survivol horror e ação/aventura não foi um completo desastre, mas poderia ter sido muito melhor. A impressão que se tem é que o jogo não conseguiu definir exatamente o seu estilo e fica no meio termo. Ou seja, falta personalidade (um dos principais fatores para se avaliar um game). Alan Wake não é ruim, mas passa longe de ser um ótimo jogo. Se você tem bastante tempo livre, paciência e um dinheirinho sobrando, a compra pode até valer a pena. Porém, é fato que existem muito mais videogames de horror e aventura dignos de sua atenção do que este.

 

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