Abre o Jogo – A cidadania e a fragmentação social no Brasil

Embora as últimas postagens da categoria “Abre o Jogo” tenham sido sobre futebol, ela não existe apenas para tratar sobre o mesmo, ou tampouco para falar apenas sobre esporte de uma forma geral. Aliás, se repararem bem, o primeiro post da categoria é sobre música. Quando criamos essa categoria, o objetivo era expor opiniões de forma crítica, trazendo à tona a discussão sobre algum tema, levantando novas ideias, expandindo conceitos e disseminando cultura e conhecimento. A ideia sempre foi “abrir o jogo” para que discussões e conhecimentos sejam gerados e disseminados.

Antes de partir para o tema principal quero deixar claro que este blog não tem objetivo de discutir política e posições partidárias. No entanto, observar o cotidiano, discutir, aprender e se divertir com ele sempre foi uma de nossas pautas. Com este texto quero apenas trazer uma reflexão sobre o nosso cotidiano atual e a grave crise política, moral e social que vivemos. Então, vamos lá?

O Brasil vive um momento de segregação como há muito tempo não se via. A sociedade está dividida em vários grupos que lutam por direitos e representatividades que julgam serem merecedores. Até aí tudo bem, afinal que mal há em lutar pelos seus direitos? A constituição nos dá este respaldo, então nada mais justo, certo? Mais ou menos.

O grande problema da atual luta por direitos é que ela acontece de forma totalmente desequilibrada. No cenário atual, ela gera muito mais malefícios do que benefícios. Não é por acaso que cresce cada vez mais o discurso de ódio, a intolerância, a violência, a deturpação da moral, a falsidade e a crise social como um todo. Percebem que isso não faz bem para o Brasil? Que uma sociedade fragmentada é ruim para uma nação?

Como ilustração do atual cenário (quando digo atual não é somente neste ano, mas sim nos últimos 5 anos), socialmente e moralmente em ruínas, temos a educação brasileira, comprovadamente uma das piores no mundo inteiro. Porque a educação brasileira é tão ruim? O que faz com que nossos alunos não tenham um bom desempenho e se formem com baixo conhecimento, péssimo raciocínio crítico, pouco respeito para com o próximo e uma péssima noção sobre cidadania? Investimentos péssimos em educação, professores que não são bem remunerados e, também por isso, não são engajados como deveriam, são alguns dos principais fatores. Porém, há outro que pouco se fala e é crucial: a elucidação e reafirmação contínua dos deveres do cidadão.

O grande problema de toda a luta por direitos que extrapola no nosso cotidiano e desencadeia o atual cenário brasileiro, próximo do caótico, é que as pessoas esquecem que além do direito elas também possuem deveres. Um problema que se tornou cultural, infelizmente. Hoje, os brasileiros querem batalhar por seus direitos, afinal assim eles foram ensinados. Contudo, quantos deles têm a total compreensão dos direitos do outro? Vou mais além: qual a porcentagem deles compreende e cumpre seus deveres antes de cobrar pelos seus direitos? A escola ensina isso? Os pais ensinam isso? Não tanto como deveriam. Isto porque a nossa cultura atual entende que os cidadãos têm apenas direitos. Um erro brutal que reflete a crise social que o país atravessa.

É dever do cidadão, previsto em lei, por exemplo, respeitar os direitos sociais de outras pessoas, logo quando lutamos pelos nossos direitos, não devemos nunca ultrapassar a linha tênue do direito da outra pessoa. É dever também do cidadão educar, respeitar e proteger nossos semelhantes, logo não devemos difamar, pregar discursos de ódio e muito menos qualquer tipo de violência ou enganação contra nenhuma pessoa. Quantos cumprem esses deveres primordiais? Pouquíssimos, para não dizer ninguém. Não é por acaso que vivemos esta crise social.

brasil-cidadania

Equilíbrio entre direitos e deveres: por um Brasil melhor.

Para concluir, e antes que venham dizer que estou pregando uma utopia e que na prática isso jamais será possível, tente começar fazendo a sua parte. Antes de gritar por aí seus direitos, pense bem: “Estou cumprindo meus deveres?”. A cidadania se faz por esses dois pilares, e enquanto não houver um equilíbrio entre eles, ou seja, enquanto as pessoas não pararem de lutar pelos seus direitos e negligenciarem seus próprios deveres, a crise social que está implantada dificilmente diminuirá. É preciso sim lutar pelos direitos, mas é imprescindível que cada um tenha a plena consciência também de seus deveres. Por um país melhor.

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Sobre Thiago

Um grão de areia no olho do furacão.

Publicado em 11 de junho de 2016, em Abre o jogo e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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