Arquivo mensal: junho 2016

Top X – Os 6 Melhores Momentos da Sexta Temporada de Game of Thrones

Esta é a seção Top X, onde elaboramos um Top que pode ser sobre os mais diversos assuntos. A letra X no título é propositalmente uma incógnita, pois poderemos fazer um Top com qualquer valor.

Baseado na série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo (A Song of Ice and Fire no original) de George R. R. Martin, Game of Thrones é uma série de televisão produzida pelo HBO de enorme sucesso mundial. Criada por David Benioff e D. B. Weiss, a série se tornou um grande sucesso de crítica e de popularidade, notabilizando-se como uma das maiores e mais icônicas séries de todos os tempos.

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Intro oficial da série

Anteriormente, fizemos uma lista com as 12 Cenas Mais Marcantes de Game of Thrones, cobrindo da primeira até a quinta temporada. Com o findar da sexta temporada, listamos, nesse Top X, as 6 cenas mais marcantes da mesma! Mantivemos os mesmos critérios da lista anterior, considerando a qualidade técnica da cena, a atuação dos atores, as ações dos personagens, o quão marcante ela foi, sua importância no enredo, seu propósito e sua coerência, para assim montar a nossa lista. Sem mais delongas, segue a nossa seleção.

[AVISO: O TEXTO ABAIXO CONTÉM SPOILERS!!! SE VOCÊ AINDA NÃO ASSISTIU A GAME OF THRONES OU MESMO LEU OS LIVROS DE GEORGE R. R. MARTIN, LEIA POR SUA CONTA E RISCO.]

6 – O novo Rei do Norte e a retorno da verdadeira herdeira do Trono de Ferro

O episódio 10 dessa sexta temporada foi o melhor entre todos os episódios de encerramento de temporadas disparado! É interessante como esse episódio foi capaz de juntar as pontas que pareciam tão distantes na série e colocarem elas nos trilhos para convergir num embate que tem tudo para ser épico. Dois pontos em especial chamam a atenção: a aclamação de Jon Snow como o novo Rei do Norte e a partida de Daenerys, seus três dragões e seu imenso exército rumo a Westeros. O primeiro não só reafirma Jon Snow como um protagonista na série, como também faz dele um dos dois pilares de toda a história, o “Gelo” sobre as quais as crônicas são contadas. Já Daenerys, põe-se a caminho de Westeros para finalmente tomar o trono e demonstra se o outro pilar dessa lenda que gostamos tanto de acompanhar. Sim, Daenerys é o “Fogo” do qual as crônicas querem nos fazer lembrar. Jon Snow se prepara apra a batalha contra os Outros, Daenerys, para tomar o Trono de Ferro, diametralmente opostos na história, mas fadados a um encontro épico. E com as revelações sobre o passado de Jon, as teorias e a história do Azor Ahai muita coisas surpreendentes ainda podem acontecer. Por enquanto ficamos com essas recordações, toda a preparação e propósito desses momentos crucias e nos preparemos para o melhor que, certamente, está por vir.

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Niguém em toda série se fortaleceu mais do que Jon Snow e Daenerys Targaryen. Agora, eles se preparam para as maiores batalhas de suas vidas.

5 – Daenerys Targaryen contra os Mestres da Baía dos Escravos

A massacrante vitória de Daenerys Targarien frente ao exército dos Mestres da Baía dos Escravos foi ao ar no episódio 9 da sexta temporada. Essa batalha é emblemática pois nela podemos ver pela primeira vez a “Mãe de Dragões” lutando junto com os três, após eles já estarem consideravelmente grandes e poderosos. A batalha é bastante esclarecedora, visto que o poder dos três dragões de Daenerys torna-se comprovadamente um desafio quase insuperável. A cena é importante por constatar esse fato e estabelecer Daenerys definitivamente como alguém capaz de reescrever a história, tal como seu ancestral Aegon, O Conquistador.  Além disso, a cena também mostra um capricho técnico bastante convincente, com tomadas aéreas e planos muito bem escolhidos pela direção. Ver os três dragões em ação pela primeira vez é um deleite para os fãs, e felizmente, a direção de efeitos especiais também fizeram um trabalho dignos de elogio.

Daenerys Targaryen and Your Trhee Dragons

Daenerys Targaryen montada em Drogon, ao lado de Viserion e Rhaegal.

4 – Ataque dos White Walkers e Morte de Hodor

A cena que foi ao ar no final do quinto episódio dessa sexta temporada é extremamente importante para muitas questões abertas em Game of Thrones. Primeiramente temos uma reafirmação e, até mesmo, uma elevação da importância de Brandon Stark como aquele que assumirá o lugar do Corvo de Três Olhos e se tornará o maior Warg do mundo. Temos também revelações sobre os Meninos da Floresta e a origem dos White Walkers, a morte do Corvo de Três Olhos e abertura do posto para o próprio Bran e as chocantes revelações sobre o passado de Hodor e seu trágico destino. Todos esses acontecimentos servem como um ponto de virada muito importante para o roteiro, abre novas possibilidades e levantam ainda mais questões para o enredo. Sem dúvidas uma das cenas mais chocantes e importantes de toda a temporada.

Holdor

O trágico destino de Hodor chocou muitos fãs.

3 – Ressureição de Jon Snow

A ressurreição de Jon Snow é a cena que todos queriam ver. Para alguns ela pode até ser considerada como um fanservice, mas a verdade é que a volta do bastardo de Ned Stark é crucial para o enredo da série e as resoluções que a trama possivelmente terá. O trabalho de preparação foi muito bem feito, criando uma tensão e um clima bastante adequado. A atuação de Kit Harington (que normalmente não é tão relevante) merece destaque nesse momento. De um homem morto a renascido e principal candidato a Azor Ahai, Jon Snow se afirmou como o protagonista que a série ainda não tinha e esse, por si só, já é um ponto vital para toda a obra. Cena memorável, crucial e muito bem dirigida.

Jon Snow Rise

Ressurreição de Jon Snow foi um dos pontos mais altos da temporada.

2 – Explosão do Grande Septo de Baelor

A explosão do Grande Septo de Baelor, cena que foi ao ar na Season Finale dessa sexta temporada, é sem dúvidas um dos acontecimentos mais marcantes de toda a série, principalmente no que diz respeito a própria história de Westeros e seu povo. Desde a chegada dos Ândalos a Westeros e a dominância dos mesmos sobre os Primeiros Homens, ou seja, há aproximadamente 6000 anos antes de Aegon, O Conquistador tomar Westeros e dominar os Sete Reinos, que a Fé dos Sete reina soberana como principal religião do continente (ainda que no norte a fé nos Antigos Deuses da Floresta seja prevalente). O Grande Septo, que já passava dos 130 anos de construção, tornara-se símbolo maior da Fé dos Sete e da própria cultura e história de Porto Real. Importante, imponente e sagrado, este era o monumento que Cersei Lannister destruiu impiedosamente. Como se já não fosse uma atitude de ousadia extrema, Cersei matou na explosão do Septo toda a fé militante, o próprio Alto Septão (chefe de toda a religião dos Sete), o futuro da Casa Tyrell, a Rainha de Westeros e mais um monte de gente importante. Por consequência, o Rei, seu filho Tommen Baratheon, suicidou e deixou o trono sem um sucessor. Resultado? A própria Cersei sentou-se no Trono de Ferro. Depois de tudo isso, não é nem preciso reafirmar a importância dessa cena para a história. Também vale destacar o ótimo trabalho da direção que conduziu o acontecimento criando um ótimo clima de tensão e proporcionando um grande espetáculo visual como resultado final.

Grande Septo de Baelor

Grande Septo de Baelor (em primeiro plano) em Porto Real. Ao fundo, a Fortaleza Vermelha.

1 – Batalha dos Bastardos

A Batalha dos Bastardos, acontecimentos que foi ao ar no episódio 9 dessa sexta temporada, é certamente o momento mais memorável da temporada, e provavelmente, de toda a série. Após Jon Snow voltar a vida, reencontrar Sansa e se deparar com o apoderamento do Norte e o sequestro de Rickon Stark, ambos por parte de Ramsay Bolton, a guerra pela retomada do lugar e pelo resgate do caçula de Eddard Stark tornou-se anunciada. A Batalha dos bastardos é um espetáculo quase incomparável, pois alia um clima de tensão inigualável, uma direção minuciosamente bem feita, quebras de expectativas e atuações num nível de excelência. Kit Harington merece (novamente) uma citação a parte, conseguindo sobressair com outra atuação digna de nota. Importante para os rumos da trama, coerente e inegavelmente marcante, a Batalha dos Bastardos fica em primeiro lugar como o melhor momento da sexta temporada de Game of Thrones.

Jon Snow vs Ramsay Bolton

E esse foi o nosso Top X com as 6 melhores cenas da sexta temporada de Game of Thrones! Esta que, mesmo com altos e baixos, terminou da melhor maneira possível! E, enquanto não chega logo o retorno da série, vamos controlando nossa ansiedade ao relembrar esses grandiosos momentos. E então, faltou alguma? O que espera da sétima temporada? Comente, discorde, concorde, monte sua lista também. E que venha a sétima temporada de Game of Thrones!

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Abre o Jogo – LeBron James, The King!

Após o título de MVP, juntamente com o título da NBA na temporada 2014-15, Stephen Curry se afirmou como um expoente do Basquete mundial. Com grandes méritos conduziu o Golden State Warriors a uma campanha arrasadora na temporada regular de 2015-16, com a incrível marca de 73 vitória e 9 derrotas, quebrando o recorde do histórico Chicago Bulls de Michael Jordan, em 1995-96, de 72 vitórias e 10 derrotas. Todos esse números e as grandes atuações chamaram os holofotes e, para muitos, Curry era indubitavelmente o melhor jogador do planeta. E quanto a LeBron James?

LeBron James ganhou o apelido de “King James” não por acaso. Um verdadeiro fenômeno desde que estreou na NBA, em 2003, é amplamente reconhecido como o melhor jogador do mundo há quase uma década! Apesar de atuar como ala, desempenha todas as funções em quadra com nível próximo da excelência. Atualmente com mais de 26.000 pontos e com um considerável tempo de carreira restante, tem tudo para se tornar um dos maiores pontuadores da história da NBA.

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King James, em ação pelo Cleveland Cavaliers, contra o Golden State Warriors

Pois bem, King James, estrela maior do basquete mundial, ofuscado pela brilhante temporada de Stephen Curry e do Golden State Warriors. Continuaria assim?

Quis o destino que o Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers repetissem a final da NBA da temporada 2014-15. Era a chance de King James se redimir e trazer o primeiro título da história da NBA à sua cidade natal, Cleveland.  E não poderia ser de um jeito mais espetacular! Depois de estar perdendo a série por 3-1, os Cavaliers acordaram na série, e com atuações monstruosas de King James, viraram a final e sagraram-se campeões! Pela primeira vez na história um time virava uma série depois de sair perdendo por 3-1.

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Com triplo-duplo no jogo 7, Lebron James foi eleito o MVP das Finais da NBA 2016.

É digno de nota as brilhante atuações de Kyrie Irving nas finais, um show a parte. Uma nota também aos outros jogadores do Cleveland Cavaliers, afinal ninguém faz nada sozinho, nem mesmo um rei. A final da NBA reafirmou o que muitos já sabiam, e alguns pareciam esquecidos: LeBron James é o rei do basquete atual. Restou ao time do Golden State Warrior, e Stephen Curry, se curvarem perante The King James, o rei que mostrou merecer todo o respeito do mundo.

Review – Alan Wake: Terrou ou Aventura?

Protagonista fraco e indecisão de gênero marcam game que tinha um grande potencial.

250px-Alan_WakeFicha Técnica: 

Alan Wake

Lançamento: Maio de 2010

Desenvolvedor: Remedy Entertainment

Modo: Jogo eletrônico para um jogador

Plataforma: Xbox 360, Microsoft Windows

Estúdio: Remedy Entertainment, Microsoft, Microsoft Studios, Nordic Games

Gênero: Ação-aventura, Survival horror, Tiro em terceira pessoa

Alan Wake foi lançado como um dos principais games exclusivos para o Xbox 360 em maio de 2010. Na época, foi extremamente bem recebido pela crítica, venceu alguns prêmios e até mesmo ganhou rumores sobre uma suposta sequência.

Desde sempre tive vontade de experimentar a aventura proporcionada por esse jogo, mas nunca surgiu a oportunidade, até esse ano de 2016. Isso porque em 2012, o game ganhou uma versão para Windows, com gráficos melhorados, embora o conteúdo seja exatamente o mesmo da versão para o 360. Eis que, navegando pela Steam em uma daquelas gigantescas promoções, encontro o jogo pela bagatela de R$ 7,99. Não pensei duas vezes antes de colocar no carrinho de compras.

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Começamos conhecendo Alan, um famoso escritor de best-sellers de terror e ficção que se encontra em uma terrível fase criativa, ao completar quase dois anos sem desenvolver sequer um manuscrito. Assim, ele e sua esposa Alice decidem fazer uma viagem até a pequena cidade de Bright Falls, na esperança de que Alan recobre sua típica inspiração para relatar contos de assombração. Não direi muito mais que isso pois considero qualquer coisa a partir dessa pequena introdução um indício de fortes spoilers.

De início, o jogo até impressiona. O clima de tensão é muito impactante nos dois primeiros capítulos. A sensação de “vai dar ruim” te acompanha o tempo inteiro, e é praticamente impossível não tomar alguns sustos com luzes piscando e estranhas pessoas saindo às avessas de trás de alguns móveis presentes no ambiente. Após o decorrer do principal acontecimento da trama, somos apresentados ao sistema de combate que é bem simples, porém intuitivo e funcional. A empolgação sobe à cabeça e, até o fim do capítulo dois, o jogador chega a pensar que realmente pode estar à frente de uma obra prima épica… E é aí que as frustrações começam a aparecer.

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O problema é que a partir do capítulo 3, o jogo se perde completamente. Alan Wake não consegue definir se é um game de survival horror ou se é um típico adventure. O pior é que não consegue ser nem um, nem outro. Os combates se tornam extremamente cansativos, uma vez que não existem variações de inimigos, nem aprimoramento de armas ou habilidades. Tudo fica tão repetitivo que simplesmente fica impossível se assustar com os vultos projetados pra fora dos troncos das árvores de densas florestas. A estória, que seria um dos pontos fortes do jogo, fica um tanto quanto confusa e desvenda os principais mistérios do enredo de uma forma muito rasa e pouco impactante. Além disso, Alan Wake pode ser considerado como um dos piores protagonistas da história dos videogames. Simplesmente chega um momento que dá nos nervos controlar um ser humano tão sem personalidade e sem expressão como este. Quem dera se tivéssemos um Mario Bros ou um Kratos em todos os jogos que colocássemos a mão.

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Contudo, os gráficos e cenários do jogo são bem bacanas, principalmente se levarmos em conta o seu ano de lançamento. As texturas e sombras são muito bem trabalhadas e auxiliam positivamente o clima de medo e de tensão proposto pelos desenvolvedores (repito, ao menos no início da trama). O problema é que a física do jogo é péssima, e a interação de Alan com os objetos do cenário é pífia. Parece que uma coisa ou outra não era para estar ali e você sente estar jogando algo que foi lançado na correria sem qualquer indício de polimento. Esse fato fica ainda mais evidente nas poucas partes em que precisamos dirigir alguns automóveis, uma vez que os movimentos são completamente travados e a mecânica extremamente dura e difícil.

Portanto, Alan Wake é um jogo com um incrível potencial, mas que não conseguiu mostrar a que veio. Os pontos mais fortes do jogo (enredo e clima de tensão) se perdem rapidamente, uma vez que todas as ações e “puzzles” (se é que podemos chamar assim, pois são uma ofensa à inteligência do jogador) são exatamente iguais, o que torna a repetição sempre presente.

A tentativa de mescla entre survivol horror e ação/aventura não foi um completo desastre, mas poderia ter sido muito melhor. A impressão que se tem é que o jogo não conseguiu definir exatamente o seu estilo e fica no meio termo. Ou seja, falta personalidade (um dos principais fatores para se avaliar um game). Alan Wake não é ruim, mas passa longe de ser um ótimo jogo. Se você tem bastante tempo livre, paciência e um dinheirinho sobrando, a compra pode até valer a pena. Porém, é fato que existem muito mais videogames de horror e aventura dignos de sua atenção do que este.

 

Abre o Jogo – A cidadania e a fragmentação social no Brasil

Embora as últimas postagens da categoria “Abre o Jogo” tenham sido sobre futebol, ela não existe apenas para tratar sobre o mesmo, ou tampouco para falar apenas sobre esporte de uma forma geral. Aliás, se repararem bem, o primeiro post da categoria é sobre música. Quando criamos essa categoria, o objetivo era expor opiniões de forma crítica, trazendo à tona a discussão sobre algum tema, levantando novas ideias, expandindo conceitos e disseminando cultura e conhecimento. A ideia sempre foi “abrir o jogo” para que discussões e conhecimentos sejam gerados e disseminados.

Antes de partir para o tema principal quero deixar claro que este blog não tem objetivo de discutir política e posições partidárias. No entanto, observar o cotidiano, discutir, aprender e se divertir com ele sempre foi uma de nossas pautas. Com este texto quero apenas trazer uma reflexão sobre o nosso cotidiano atual e a grave crise política, moral e social que vivemos. Então, vamos lá?

O Brasil vive um momento de segregação como há muito tempo não se via. A sociedade está dividida em vários grupos que lutam por direitos e representatividades que julgam serem merecedores. Até aí tudo bem, afinal que mal há em lutar pelos seus direitos? A constituição nos dá este respaldo, então nada mais justo, certo? Mais ou menos.

O grande problema da atual luta por direitos é que ela acontece de forma totalmente desequilibrada. No cenário atual, ela gera muito mais malefícios do que benefícios. Não é por acaso que cresce cada vez mais o discurso de ódio, a intolerância, a violência, a deturpação da moral, a falsidade e a crise social como um todo. Percebem que isso não faz bem para o Brasil? Que uma sociedade fragmentada é ruim para uma nação?

Como ilustração do atual cenário (quando digo atual não é somente neste ano, mas sim nos últimos 5 anos), socialmente e moralmente em ruínas, temos a educação brasileira, comprovadamente uma das piores no mundo inteiro. Porque a educação brasileira é tão ruim? O que faz com que nossos alunos não tenham um bom desempenho e se formem com baixo conhecimento, péssimo raciocínio crítico, pouco respeito para com o próximo e uma péssima noção sobre cidadania? Investimentos péssimos em educação, professores que não são bem remunerados e, também por isso, não são engajados como deveriam, são alguns dos principais fatores. Porém, há outro que pouco se fala e é crucial: a elucidação e reafirmação contínua dos deveres do cidadão.

O grande problema de toda a luta por direitos que extrapola no nosso cotidiano e desencadeia o atual cenário brasileiro, próximo do caótico, é que as pessoas esquecem que além do direito elas também possuem deveres. Um problema que se tornou cultural, infelizmente. Hoje, os brasileiros querem batalhar por seus direitos, afinal assim eles foram ensinados. Contudo, quantos deles têm a total compreensão dos direitos do outro? Vou mais além: qual a porcentagem deles compreende e cumpre seus deveres antes de cobrar pelos seus direitos? A escola ensina isso? Os pais ensinam isso? Não tanto como deveriam. Isto porque a nossa cultura atual entende que os cidadãos têm apenas direitos. Um erro brutal que reflete a crise social que o país atravessa.

É dever do cidadão, previsto em lei, por exemplo, respeitar os direitos sociais de outras pessoas, logo quando lutamos pelos nossos direitos, não devemos nunca ultrapassar a linha tênue do direito da outra pessoa. É dever também do cidadão educar, respeitar e proteger nossos semelhantes, logo não devemos difamar, pregar discursos de ódio e muito menos qualquer tipo de violência ou enganação contra nenhuma pessoa. Quantos cumprem esses deveres primordiais? Pouquíssimos, para não dizer ninguém. Não é por acaso que vivemos esta crise social.

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Equilíbrio entre direitos e deveres: por um Brasil melhor.

Para concluir, e antes que venham dizer que estou pregando uma utopia e que na prática isso jamais será possível, tente começar fazendo a sua parte. Antes de gritar por aí seus direitos, pense bem: “Estou cumprindo meus deveres?”. A cidadania se faz por esses dois pilares, e enquanto não houver um equilíbrio entre eles, ou seja, enquanto as pessoas não pararem de lutar pelos seus direitos e negligenciarem seus próprios deveres, a crise social que está implantada dificilmente diminuirá. É preciso sim lutar pelos direitos, mas é imprescindível que cada um tenha a plena consciência também de seus deveres. Por um país melhor.