Review – O Curioso Caso de Benjamin Button e as voltas de uma vida diferente

Mais do que o curioso fato, longa-metragem repercute questões intrínsecas do viver.

TheCuriousCaseOfBenjaminButton

Ficha Técnica:

O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)

Direção: David Fincher

Produção: Kathleen Kennedy, Frank Marshall e Ceán Chaffin

Roteiro: Eric Roth e Robin Swicord

Gênero: Drama

Distribuição: Paramount Pictures e Warner Bros.

Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Julia Ormond, Jason Flemyng, Jared Harris e Tilda Swinton

Lançamento: 2008

 

O Curioso Caso de Benjamin Button é um filme de 2008 dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, baseado no conto homônimo de 1921, de autoria do escritor F. Scott Fitzgerald. O longa conta a história de Benjamin Button, um homem que nasceu com características de um idoso de aproximadamente 80 anos e, com o passar do tempo, rejuvenescia. Partindo dessa premissa simples, David Fincher e os roteiristas desenvolvem um filme recheado de momentos tocantes que tangenciam questões comuns e, ao mesmo tempo, complexas da vida.

Tecnicamente, a obra é digna de elogios. O trabalho de maquiagem e de efeitos especiais é muito eficaz em caracterizar a idade dos atores e o momento vivido pelos personagens. É perceptível também como a fotografia consegue transpor, através das tonalidades de cores empregadas, o momento histórico vivido (como a infância de Benjamin nos anos 20/30 e o tom em sépia da película). Aliado a esse recurso o trabalho de figurino contribui muito bem para marcar o tempo e permitir maior imersão ao espectador. Os cenários não chegam a ser um grande destaque, mas também passam longe de comprometer. A trilha sonora, embora esquecível, não chega a desagradar.

OldBenjaminButton

Obviamente, Benjamin é o centro do filme e acompanhar sua particular história é uma tarefa longe de ser divertida. O protagonista não é carismático, não tem um desenvolvimento interessante (aliás ele é praticamente unidimensional) e não demonstra coerência em algumas de suas atitudes. A maioria de suas ações e motivações são justificáveis apenas quando envolvem descobrir as diversas circunstâncias que a vida proporciona. Nestes momentos o filme acerta de uma maneira sutil e comovente. A atuação de Brad Pitt é satisfatória, alternando ótimos momentos e outros pouco relevantes. Já Dayse Fuller (Cate), a grande paixão de Benjamim, têm dúvidas, ações, motivações e desenvolvimento cabíveis, apesar de sua relação com aquele ser apenas satisfatória, muito por causa, também, da atmosfera fria e melancólica que David Fincher mantém durante todo o longa. A mãe de Benjamin, Queenie (Taraji) cumpre bem seu papel, mesmo que seja representada de maneira estereotipada. Quanto ao pai de Benjamin, Thomas Button (Flemyng), demonstra-se um tanto desequilibrado e inconsequente, não só pela sua atitude vista no início do filme, como pelas suas ações antes do fim que o mesmo teve na trama. Já a filha de Cate, Caroline (Ormond) é a pior personagem da obra, inútil durante todo o longa, tem reações praticamente nulas frente às grandes revelações que tem ao longo da película.

O filme de David Fincher tem um roteiro bastante problemático. A começar pelo desenvolvimento da história que, estruturado em flashbacks que simulam a leitura de Caroline ao mesmo tempo em que Benjamin os narram, passa por vários momentos da vida de seu protagonista acompanhando-o em suas desventuras e descobertas. Nada de anormal, a não ser que percebamos o clima melancólico que insiste em ser mantido durante todo o longa, além de cenas dispensáveis (como a cena de Benjamin e sua mãe na igreja) que aumentam a duração e tornam a película demasiadamente cansativa. Nota-se também uma falta de originalidade que beira o plágio de Forrest Gump (já pararam para contar quantas semelhanças existem entre ambos?). Não por acaso o roteirista é o mesmo. Embora o meio do filme seja bom em diversas passagens, seu início e seu final são no mínimo estranhos, com cenas mal dirigidas no início e não muito coerentes no final. Em alguns momentos parece faltar planejamento ao roteiro, como, por exemplo, a equivocada adição do fator furacão Katrina, que nada contribui para a história.

BenjaminButtonAndDayseFuller

O grande mérito de “O Curioso Caso de Benjamin Button” está em não ser uma história sobre um cara que rejuvenesce, mas sim uma obra sobre passar pelas etapas da vida, aprender e se desenvolver com elas, e nunca deixar de valorizar a grandiosidade dos momentos, das pessoas e dos percalços que enfrentamos enquanto seres viventes. A abordagem da precoce velhice de Benjamin, de suas primeiras experiências adultas, de seu primeiro trabalho, entre outras mais, é feita de maneira singela e bastante eficaz. Lidar com o crescer, com adversidades, com as coisas boas, com os amores, com as relações construídas e rompidas, com a família, com a morte… tudo isso está lá não porque é o Benjamin Button, mas porque são situações que todos passamos e muitas vezes não percebemos como cada uma delas contribui para que nos tornemos quem nós somos. No ponto mais acertado de David Fincher ele parece querer gritar para nós: “Estão vendo? Todos passam por processos semelhantes, até o Benjamin Button!”.

Ainda que tenha problemas com um roteiro sem originalidade e capacidade de entretenimento, e que seus personagens transmitam pouco carisma, “O Curioso Caso de Benjamin Button” é uma obra com qualidades que merecem ser destacadas, como o ótimo trabalho técnico e uma abordagem temática muito eficiente em subjugar aquele que deveria ser o fato central do filme. Impor-se sobre o que é o grande chamativo da obra é um feito notável e é o maior mérito da obra, por isso a forma como ela evidencia questões simples e intrínsecas da vida merecem ser elogiadas e contempladas pelo seu público.

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Sobre Thiago

Um grão de areia no olho do furacão.

Publicado em 28 de maio de 2016, em Review e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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