Review – Os Irmãos Grimm, uma história dos criadores de histórias

Uma história aquém dos contos dos célebres personagens-título.

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Ficha Técnica:

Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm)

Direção: Terry Gilliam

Produção: Daniel Bobker e Charles Roven

Roteiro: Ehren Kruger

Gênero: Comédia, Aventura, Fantasia

Distribuição: Dimension Films

Elenco: Matt Damon, Heath Ledger, Monica Bellucci, Jonathan Pryce, Lena Headey e Peter Stormare.

Lançamento: 2005

 

Os Irmãos Grimm é um filme de 2005 que narra uma história fictícia envolvendo os célebres contadores de fábulas infantis Wilhelm e Jacob Grimm, respectivamente interpretados por Matt Damon e pelo saudoso Heath Ledger. Eternizados como os autores de Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, Branca de Neve e os Sete Anões, João & Maria, entre vários outros icônicos contos infantis, o filme é uma mistura de aventura, comédia e fantasia com um pouco dos elementos de muitas dessas histórias, resultando um enredo heterogêneo em possibilidades, mas pobre em engenhosidade e criatividade.

Ambientado na época das expansões napoleônicas, a película nos apresenta aos irmãos aqui caracterizados como trapaceiros que ganham a vida salvando os vilarejos de perigos como bruxas e demônios inventados por eles mesmos. Com suas trapaças descobertas pelas tropas francesas, os Grimm são obrigados a resolverem um incomum caso, que acaba se revelando um feitiço verdadeiro. Passam então a transitarem por elementos fantásticos que, ao longo da fita e de suas aventuras, são entrelaçadas com os contos acima citados.

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Visualmente falando, o filme não é impactante, apesar de suas cenas serem (em geral) bem construídas, sobretudo na parte da floresta, pecam muito por não conseguirem criar a tensão necessária a cena. A mistura de vários elementos já conhecidos não consegue um resultado original, ainda que a fotografia consiga cumprir seu papel de evidenciar o lado fantástico do longa com grande competência. A maquiagem e os figurinos se destacam, sobretudo quando vemos personagens que realmente devem ser feios e asquerosos para o espectador. Os efeitos especiais, no entanto, parecem demasiadamente velhos, especialmente na cena que um cavalo engole uma criança ou mesmo no lobo digital do filme.

Os personagens são um ponto controverso do filme, pois de um lado temos Will e Jacob que mostram uma boa dinâmica e não soam forçados ou repetitivos em nenhum momento. Os irmãos se desenvolvem juntamente com a trama e conseguem conduzir e atraírem para si toda a atenção do filme, pontos fortíssimos para protagonistas. Suas personalidades contrastantes são bem conduzidas e rumam a ações e resoluções cabíveis, até mesmo quando Will (cético) encara a “realidade da fantasia” que estava enfrentando. Por outro lado, o elenco de apoio, sobretudo Marcurio Cavaldi (Peter Stormare) e o General Vavarin Delatombe (Jonathan Pryce) são demasiadamente antipáticos e irritantes. Lena Headey não compromete como Angelika, mas também não consegue se destacar, servindo no fim como alternativa para o plano da vilã e como par romântico (?) para os irmãos. Já Monica Bellucci mesmo em pouco tempo de cena, consegue ser marcante, embora seu trabalho não seja nada excepcional.

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O ponto mais falho de “Os Irmãos Grimm” é o roteiro. O filme é uma mistura de comédia e aventura, porém não é uma aventura cômica, tampouco uma comédia com elementos de aventura, um meio caminho de ambos, inconclusivo sobre si mesmo, que revela uma estranha indecisão do diretor e/ou roteiristas. Os elementos fantasia estão lá, mas eles juntam-se ao restante para criar um simplório e previsível roteiro. Decisões clichês como sacrifícios humanos e roubos de beleza e juventude, aliados a necessidade pré-estabelecida de misturar os elementos dos contos dos irmãos Grimm tornam o desenvolvimento, a originalidade e o planejamento demasiadamente óbvios e medíocres. Diante disso, somos frustrados com uma história de aventura pouco envolvente. Além disso, poucas cenas de comédia conseguem cumprir seu papel, mostrando um timing cômico incapaz em diversas oportunidades.

Diante do já exposto, fica clara a ineficácia do filme como gênero aventura e como gênero comédia. A fantasia funciona como um atrativo, mas narrativamente não contribui ao roteiro. Para completar, somos “premiados” com um final previsível, sem graça, chulo (afinal qual foi o par formado?) e covarde (sim, aquele personagem deveria ter morrido!). Como não há relevância temática nem trabalho construído para isso no filme, terminamos a película com uma sensação de assistir um simplório passatempo, capaz de entreter aos menos exigentes e de revisitar de forma diferente (embora pouco original) os clássicos contos infantis. Como resultado final, um longa muito aquém das histórias dos célebres irmãos Grimmm. Infelizmente.

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Sobre Thiago

Um grão de areia no olho do furacão.

Publicado em 1 de maio de 2016, em Review e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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