Arquivo mensal: maio 2016

Review – O Curioso Caso de Benjamin Button e as voltas de uma vida diferente

Mais do que o curioso fato, longa-metragem repercute questões intrínsecas do viver.

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Ficha Técnica:

O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button)

Direção: David Fincher

Produção: Kathleen Kennedy, Frank Marshall e Ceán Chaffin

Roteiro: Eric Roth e Robin Swicord

Gênero: Drama

Distribuição: Paramount Pictures e Warner Bros.

Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Julia Ormond, Jason Flemyng, Jared Harris e Tilda Swinton

Lançamento: 2008

 

O Curioso Caso de Benjamin Button é um filme de 2008 dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, baseado no conto homônimo de 1921, de autoria do escritor F. Scott Fitzgerald. O longa conta a história de Benjamin Button, um homem que nasceu com características de um idoso de aproximadamente 80 anos e, com o passar do tempo, rejuvenescia. Partindo dessa premissa simples, David Fincher e os roteiristas desenvolvem um filme recheado de momentos tocantes que tangenciam questões comuns e, ao mesmo tempo, complexas da vida.

Tecnicamente, a obra é digna de elogios. O trabalho de maquiagem e de efeitos especiais é muito eficaz em caracterizar a idade dos atores e o momento vivido pelos personagens. É perceptível também como a fotografia consegue transpor, através das tonalidades de cores empregadas, o momento histórico vivido (como a infância de Benjamin nos anos 20/30 e o tom em sépia da película). Aliado a esse recurso o trabalho de figurino contribui muito bem para marcar o tempo e permitir maior imersão ao espectador. Os cenários não chegam a ser um grande destaque, mas também passam longe de comprometer. A trilha sonora, embora esquecível, não chega a desagradar.

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Obviamente, Benjamin é o centro do filme e acompanhar sua particular história é uma tarefa longe de ser divertida. O protagonista não é carismático, não tem um desenvolvimento interessante (aliás ele é praticamente unidimensional) e não demonstra coerência em algumas de suas atitudes. A maioria de suas ações e motivações são justificáveis apenas quando envolvem descobrir as diversas circunstâncias que a vida proporciona. Nestes momentos o filme acerta de uma maneira sutil e comovente. A atuação de Brad Pitt é satisfatória, alternando ótimos momentos e outros pouco relevantes. Já Dayse Fuller (Cate), a grande paixão de Benjamim, têm dúvidas, ações, motivações e desenvolvimento cabíveis, apesar de sua relação com aquele ser apenas satisfatória, muito por causa, também, da atmosfera fria e melancólica que David Fincher mantém durante todo o longa. A mãe de Benjamin, Queenie (Taraji) cumpre bem seu papel, mesmo que seja representada de maneira estereotipada. Quanto ao pai de Benjamin, Thomas Button (Flemyng), demonstra-se um tanto desequilibrado e inconsequente, não só pela sua atitude vista no início do filme, como pelas suas ações antes do fim que o mesmo teve na trama. Já a filha de Cate, Caroline (Ormond) é a pior personagem da obra, inútil durante todo o longa, tem reações praticamente nulas frente às grandes revelações que tem ao longo da película.

O filme de David Fincher tem um roteiro bastante problemático. A começar pelo desenvolvimento da história que, estruturado em flashbacks que simulam a leitura de Caroline ao mesmo tempo em que Benjamin os narram, passa por vários momentos da vida de seu protagonista acompanhando-o em suas desventuras e descobertas. Nada de anormal, a não ser que percebamos o clima melancólico que insiste em ser mantido durante todo o longa, além de cenas dispensáveis (como a cena de Benjamin e sua mãe na igreja) que aumentam a duração e tornam a película demasiadamente cansativa. Nota-se também uma falta de originalidade que beira o plágio de Forrest Gump (já pararam para contar quantas semelhanças existem entre ambos?). Não por acaso o roteirista é o mesmo. Embora o meio do filme seja bom em diversas passagens, seu início e seu final são no mínimo estranhos, com cenas mal dirigidas no início e não muito coerentes no final. Em alguns momentos parece faltar planejamento ao roteiro, como, por exemplo, a equivocada adição do fator furacão Katrina, que nada contribui para a história.

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O grande mérito de “O Curioso Caso de Benjamin Button” está em não ser uma história sobre um cara que rejuvenesce, mas sim uma obra sobre passar pelas etapas da vida, aprender e se desenvolver com elas, e nunca deixar de valorizar a grandiosidade dos momentos, das pessoas e dos percalços que enfrentamos enquanto seres viventes. A abordagem da precoce velhice de Benjamin, de suas primeiras experiências adultas, de seu primeiro trabalho, entre outras mais, é feita de maneira singela e bastante eficaz. Lidar com o crescer, com adversidades, com as coisas boas, com os amores, com as relações construídas e rompidas, com a família, com a morte… tudo isso está lá não porque é o Benjamin Button, mas porque são situações que todos passamos e muitas vezes não percebemos como cada uma delas contribui para que nos tornemos quem nós somos. No ponto mais acertado de David Fincher ele parece querer gritar para nós: “Estão vendo? Todos passam por processos semelhantes, até o Benjamin Button!”.

Ainda que tenha problemas com um roteiro sem originalidade e capacidade de entretenimento, e que seus personagens transmitam pouco carisma, “O Curioso Caso de Benjamin Button” é uma obra com qualidades que merecem ser destacadas, como o ótimo trabalho técnico e uma abordagem temática muito eficiente em subjugar aquele que deveria ser o fato central do filme. Impor-se sobre o que é o grande chamativo da obra é um feito notável e é o maior mérito da obra, por isso a forma como ela evidencia questões simples e intrínsecas da vida merecem ser elogiadas e contempladas pelo seu público.

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Review – O Regresso e a luta substancial pela vida

Enquanto houver esperança, lute, sobreviva, viva!

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Ficha Técnica:

O Regresso (The Revenent)

Direção: Alejandro G. Iñárritu

Produção: Arnon Milchan, Steve Golin, David Kanter, Alejandro G. Iñárritu, Mary Parent, James W. Skotchdopole e Keith Redmon

Roteiro: Mark L. Smith e Alejandro G. Iñárritu

Gênero: Drama

Distribuição: 20th Century Fox

Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter e Forrest Goodluck

Lançamento: 2015

Lançado nos Estados Unidos em dezembro de 2015, O Regresso é um filme de drama dirigido por Alejandro González Iñárritu, baseado no romance homônimo de Michael Punke, cuja história se inspira na fantástica aventura vivida por Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), um explorador e caçador de peles que em 1823 fora atacado por um urso e, abandonado a mercê por seus companheiros de expedição, rastejou por mais de 300 km de onde fora deixado para o acampamento de onde viera.

Por si só, este O Regresso é a adaptação da adaptação, contendo licenças e mudanças consideráveis em relação à obra original e, muito provavelmente, aos fatos ocorridos de verdade com Glass. A primeira, e maior, nota a si considerar é que, diferente da obra original, o personagem vivido por DiCaprio não rasteja até seu destino, tal como na história. Indo além desse detalhe, outros pontos primordiais são alterados como o fato do filho de Glass acompanhá-lo durante a expedição, diferentemente da original, onde o mesmo acabara de nascer e estava em casa com a mãe. Retornarei na questão do roteiro posteriormente.

O Regresso é, tecnicamente, um deslumbre visual. A fotografia do filme é espetacular e as gravações utilizando luz natural não comprometem, muito pelo contrário, trazem uma imersão que, aliada aos planos abertos empregados, proporcionam uma imersão bastante eficiente. Os cenários são sensacionais e a variação de ângulos é eficiente em contrastar a imponência da natureza perante a pequenez (literalmente, em algumas cenas) do homem. Há um equilíbrio bom em alternar planos gerais, mostrando os cenários e o ambiente, e planos fechados, com closes que captam a expressividade visceral dos personagens, um elemento narrativo crucial do filme. A batalha inicial do filme é um convite ao espetáculo visual a que seremos submergidos, visto que é dirigida com uma sequência fluida e sem cortes, expondo a ferocidade da batalha de uma forma bem eficiente. A trilha sonora, a maquiagem e os efeitos especiais são utilizados de maneira exemplar e algumas cenas, como a batalha de Glass contra a Ursa, a caracterização de seus ferimentos ou mesmo a cena nas entranhas de um cavalo, são dignas de nota.

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Os personagens são pilares importantes na obra. Hugh Glass é sustentado e desenvolvido por uma atuação fenomenal de Leonardo DiCaprio. Ele sustenta e carrega a história e é carregado de expressividades e dramaticidades que, num papel praticamente sem falas, beira o absurdo. Contudo, o personagem é preenchido com motivações que vão além do instinto de sobrevivência e do valor insuperável da vida, carregando o peso dramático também para desejos vingativos e, de forma desnecessária, limitando a maior mensagem da obra. Interpretado de maneira notável por Tom Hardy, John Fitzgerald é um personagem frio, racional, ganancioso e cruel que, embora condenável, justifica suas ações pelo seu passado e por suas claras e expressivas inquietude e insanidade (repare como o olhar de Hardy demonstra exatamente estes sentimentos). Ele também é uma exemplificação clara e importante do egoísmo humano. Domhnall Gleeson interpreta o capitão Henry, que embora não comprometa, também tem pouca imposição em cena, revelando atitudes práticas, cômodas e covardes, como deixar seu tripulante com o cara que mais o odeia em seu momento de maior fragilidade. Will Poulter interpreta Jim Bridger e é útil ao mostrar o homem em um dilema ético e moral enquanto é completamente subjugado pelo medo. Cumpre seu papel de forma eficiente. Já Hawk, interpretado por Forrest Goodluck, é o personagem mais descartável do filme, não pelo desempenho do ator, mas pelo fato de ele ser o desencadeador de motivações extras desnecessárias ao personagem de Hugh Glass.

Voltando ao roteiro, O Rogresso é construído a partir de alguns subplots: a luta substancial de Hugh Glass para manter-se vivo, a busca por vingança do mesmo, a jornada gananciosa de Fitzgerald, a volta do grupo do capitão Henry e a procura dos índios Arikaras pela filha sequestrada do chefe da aldeia. A grande questão é: precisava fragmentar tanto a história? É até compreensível que os roteiristas tentaram criar arcos e motivações para os personagens e os diversos núcleos da história, porém a grande sensação transposta é a falta de foco num enredo que deveria sem muito mais simples, tocante e poético do que acabou se provando. A luta de Glass pela vida, as diversas peripécias que acaba tendo de enfrentar e o impacto que elas causam estão lá, e são muito eficientes em mostrar o valor da vida e o imenso extinto de sobrevivência humano. O problema é que poderia ser muito mais poético e eficiente se não fosse fragmentado por flashbacks e delírios do personagem que em nada acrescentam a trama. A decisão de adicionar um arco de vingança também limita bastante àquela que deveria ser a mensagem do filme: “sobreviver porque o valor da vida é absoluto”. Não é incoerente, mas revela decisões e desenvolvimento não tão eficazes no resultado final e, totalizam um filme demasiadamente longo para o que realmente era necessário ser contado.

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Aprofundando nas temáticas de O Regresso, temos uma retratação muito boa da natureza humana, principalmente quando se trata de lutar contra o medo, enfrentar dilemas éticos e morais e provar o extinto de sobrevivência, todos apresentados em situações extremas, contribuindo para uma explanação intensa, cru e altamente realista desses comportamentos. O grande ponto falho fica por conta dessa introdução desnecessária de vingança e redenção, algo que contribui de forma negativa para a transmissão da mensagem principal do longa, infelizmente. Há também os sonhos e delírios de Glass, algo como se fosse questionar a linha tênue entre a vida e morte, entre viver no limite e se entregar a morte, pontos interessantes que nunca são trabalhados e se tornam apenas detalhes completamente deslocados no filme.

A qualidade de O Regresso é inquestionável, não somente no âmbito técnico como no trabalho de seus personagens principais e de suas ambições temáticas, extremamente relevantes na sociedade contemporânea. A obra é visceral e realista e consegue ser enfática e marcante em muitas de suas passagens. Pode-se questionar os pontos acimas citados e algumas adições não muito bem acertadas no roteiro, mas a verdade é que quando acerta, o filme é magnífico e isso também precisa ser levado em conta. Aliás, o valor absoluto da vida humana é sempre uma mensagem que merece ser vista, compreendida e repassada com toda a seriedade e eficácia possível.

Top X – Os 10 Melhores Goleiros do Mundo

Esta é a seção Top X, onde elaboramos um Top que pode ser sobre os mais diversos assuntos. A letra X no título é propositalmente uma incógnita, pois poderemos fazer um Top com qualquer valor.

Elaborar uma lista com os melhores goleiros do mundo não é uma tarefa fácil. Esta é a posição mais perversa do futebol, afinal o goleiro pode fazer grandes defesas durante uma partida, salvando o seu time várias vezes, no entanto basta uma falha para tudo se desmoronar. Além disso, no futebol atual, diversas outras características são importantes como a reposição da bola e a saída do gol, tornando a posição muito mais complexa de ser analisada.

Tendo em visto tudo isso, elaboramos uma lista tentando levar em conta principalmente a segurança que o goleiro passa para seu time e sua regularidade, mas também analisamos sua qualidade técnica, elasticidade, posicionamento, quantidade de defesas difíceis, saídas do gol, aproveitamento nos pênaltis, qualidade com os pés, reposição de bola e poder de decisão em grandes jogos. Enfim, segue a nossa lista com os 10 melhores goleiros do mundo em 2015/2016.

10 – Hugo Lloris

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Goleiro titular da seleção francesa e do Tottenham Hotspurs, Hugo Lloris é um dos mais regulares e seguros do mundo. É um goleiro técnico, com ótimo posicionamento e boa saída de bola. Tranquilo e experiente, transporta uma grande confiança para seu time.

9 – Jan Oblak

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Titular no gol do Atlético de Madrid, o jovem goleiro Jan Oblak, de apenas 23 anos, vem se destacando como um dos mais promissores do mundo em sua posição. Seguro e tranquilo, o esloveno é uma das chaves da quase intransponível defesa Colchonera. Oblak se destaca pelo ótimo posicionamento, boas saídas do gol e grande regularidade. Tem tudo para evoluir ainda mais e brigar pelo posto de melhor goleiro do mundo dentro de alguns anos.

8 – Petr Cech

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Ídolo do Chelsea e, atualmente, protetor da meta do Arsenal, Petr Cech ainda é um dos principais do mundo em sua posição. O experiente goleiro da República Tcheca se destaca por sua grande capacidade de decidir jogos grandes com suas grandes defesas, além de ser muito regular, mostrar ótimo posicionamento e qualidade tanto na reposição de bola. Sétimo lugar para ele.

7 – Diego Alves

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Principal goleiro brasileiro em atividade, Diego Alves se destaca como um dos melhores goleiros do futebol espanhol. Recordista de defesa de pênaltis na Liga BBVA, Diego Alves é também o arqueiro que mais defendeu pênaltis dos dois melhores jogadores do mundo – Messi e Cristiano Ronaldo – um feito notável. Além dos pênaltis, Diego também é capaz de fazer grandes defesas, tem boa regularidade, bom posicionamento e qualidade com os pés, transportando muita segurança para seu time.

6 – Thibaut Courtois

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Campeão Espanhol pelo Atlético de Madrid e campeão Inglês pelo Chelsea, Thibaut Courtois se tornou um dos principais nomes da posição no mundo. Alto, ágil e de grande elasticidade, o jovem goleiro da seleção belga é capaz de realizar grandes defesas, sendo decisivo em muitas partidas. Além disso, Courtois também tem ótimo posicionamento, boa saída do gol e boa reposição de bola.

5 – Gianluigi Buffon

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Gianluigi Buffon se tornou uma lenda na história da Juventus e da Seleção Italiana. Campeão do mundo e recordista de jogos pela Azzurra, além de multicampeão pelos Bianconeri. Mesmo aos 38 anos de idade, Buffon ainda é um dos principais goleiros do mundo e se destaque como um líder nato, seguro, regular e de extrema competência debaixo das traves. Tem ótimo posicionamento, excelente técnica e amplo poder de decisão.

4 – Joe Hart

England v Switzerland - UEFA Euro 2016 Qualifying Group E

Titular absoluto da Seleção Inglesa e do gol do Manchester City, Joe Hart se destaca pela grande elasticidade e capacidade de realizar defesas difíceis. Também é um grande pegador de pênaltis e um goleiro de muita técnica. Alia grande técnica e poder de decisão, transpondo segurança e confiança para seu time. Um dos melhores do mundo em sua posição.

3 – Keylor Navas

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Keylor Navas se destacou para o mundo após fazer uma brilhante Copa do Mundo em 2014, no Brasil. Logo após foi para o Real Madrid e em 2015, com a saída de Iker Casillas, assumiu a titularidade no gol merengue. Alia grande agilidade e elasticidade, ótimo posicionamento e grande qualidade técnica, com isso realiza uma grande quantidade de defesas difíceis. Também tem ótimas saídas do gol, bom aproveitamento nos pênaltis e grande poder de decisão. Suas saídas do gol e de reposição de bola também são muito boas. Terceiro lugar para ele.

2 – David De Gea

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David De Gea se tornou titular absoluto e um dos principais jogadores do Manchester United e de todo o futebol inglês. Assumiu o posto de Casillas no gol da Seleção Espanhola e caminha a passos largos para ser o principal goleiro do mundo, Extremamente regular, alia ótima qualidade técnica e decide vários jogos com defesas espetaculares. Também tem um posicionamento muito bom, ótimas saídas do gol, boa qualidade com os pés e na reposição de bola. Está muito próximo de ser o melhor goleiro do mundo.

1 – Manuel Neuer

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Manuel Neuer, a muralha alemã, multicampeão com o Bayer de Munique, e campeão da Copa do Mundo em 2014, no Brasil. O alemão não somente é capaz de realizar defesas espetaculares, como ainda revolucionou a posição ao fazer em diversos momentos da partida, jogadas de líbero. Seguro, decisivo e quase intransponível, tem posicionamento quase perfeito, é um excelente pegador de pênaltis e tem a melhor reposição de bola e habilidade com os pés entre todos da sua posição. Não por acaso, Neuer segue soberano como o número 1 em sua posição no mundo.

Review – Os Irmãos Grimm, uma história dos criadores de histórias

Uma história aquém dos contos dos célebres personagens-título.

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Ficha Técnica:

Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm)

Direção: Terry Gilliam

Produção: Daniel Bobker e Charles Roven

Roteiro: Ehren Kruger

Gênero: Comédia, Aventura, Fantasia

Distribuição: Dimension Films

Elenco: Matt Damon, Heath Ledger, Monica Bellucci, Jonathan Pryce, Lena Headey e Peter Stormare.

Lançamento: 2005

 

Os Irmãos Grimm é um filme de 2005 que narra uma história fictícia envolvendo os célebres contadores de fábulas infantis Wilhelm e Jacob Grimm, respectivamente interpretados por Matt Damon e pelo saudoso Heath Ledger. Eternizados como os autores de Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, Branca de Neve e os Sete Anões, João & Maria, entre vários outros icônicos contos infantis, o filme é uma mistura de aventura, comédia e fantasia com um pouco dos elementos de muitas dessas histórias, resultando um enredo heterogêneo em possibilidades, mas pobre em engenhosidade e criatividade.

Ambientado na época das expansões napoleônicas, a película nos apresenta aos irmãos aqui caracterizados como trapaceiros que ganham a vida salvando os vilarejos de perigos como bruxas e demônios inventados por eles mesmos. Com suas trapaças descobertas pelas tropas francesas, os Grimm são obrigados a resolverem um incomum caso, que acaba se revelando um feitiço verdadeiro. Passam então a transitarem por elementos fantásticos que, ao longo da fita e de suas aventuras, são entrelaçadas com os contos acima citados.

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Visualmente falando, o filme não é impactante, apesar de suas cenas serem (em geral) bem construídas, sobretudo na parte da floresta, pecam muito por não conseguirem criar a tensão necessária a cena. A mistura de vários elementos já conhecidos não consegue um resultado original, ainda que a fotografia consiga cumprir seu papel de evidenciar o lado fantástico do longa com grande competência. A maquiagem e os figurinos se destacam, sobretudo quando vemos personagens que realmente devem ser feios e asquerosos para o espectador. Os efeitos especiais, no entanto, parecem demasiadamente velhos, especialmente na cena que um cavalo engole uma criança ou mesmo no lobo digital do filme.

Os personagens são um ponto controverso do filme, pois de um lado temos Will e Jacob que mostram uma boa dinâmica e não soam forçados ou repetitivos em nenhum momento. Os irmãos se desenvolvem juntamente com a trama e conseguem conduzir e atraírem para si toda a atenção do filme, pontos fortíssimos para protagonistas. Suas personalidades contrastantes são bem conduzidas e rumam a ações e resoluções cabíveis, até mesmo quando Will (cético) encara a “realidade da fantasia” que estava enfrentando. Por outro lado, o elenco de apoio, sobretudo Marcurio Cavaldi (Peter Stormare) e o General Vavarin Delatombe (Jonathan Pryce) são demasiadamente antipáticos e irritantes. Lena Headey não compromete como Angelika, mas também não consegue se destacar, servindo no fim como alternativa para o plano da vilã e como par romântico (?) para os irmãos. Já Monica Bellucci mesmo em pouco tempo de cena, consegue ser marcante, embora seu trabalho não seja nada excepcional.

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O ponto mais falho de “Os Irmãos Grimm” é o roteiro. O filme é uma mistura de comédia e aventura, porém não é uma aventura cômica, tampouco uma comédia com elementos de aventura, um meio caminho de ambos, inconclusivo sobre si mesmo, que revela uma estranha indecisão do diretor e/ou roteiristas. Os elementos fantasia estão lá, mas eles juntam-se ao restante para criar um simplório e previsível roteiro. Decisões clichês como sacrifícios humanos e roubos de beleza e juventude, aliados a necessidade pré-estabelecida de misturar os elementos dos contos dos irmãos Grimm tornam o desenvolvimento, a originalidade e o planejamento demasiadamente óbvios e medíocres. Diante disso, somos frustrados com uma história de aventura pouco envolvente. Além disso, poucas cenas de comédia conseguem cumprir seu papel, mostrando um timing cômico incapaz em diversas oportunidades.

Diante do já exposto, fica clara a ineficácia do filme como gênero aventura e como gênero comédia. A fantasia funciona como um atrativo, mas narrativamente não contribui ao roteiro. Para completar, somos “premiados” com um final previsível, sem graça, chulo (afinal qual foi o par formado?) e covarde (sim, aquele personagem deveria ter morrido!). Como não há relevância temática nem trabalho construído para isso no filme, terminamos a película com uma sensação de assistir um simplório passatempo, capaz de entreter aos menos exigentes e de revisitar de forma diferente (embora pouco original) os clássicos contos infantis. Como resultado final, um longa muito aquém das histórias dos célebres irmãos Grimmm. Infelizmente.