Review – Mad Max: Estrada da Fúria, um filme de tirar o fôlego

Um filme de ação no sentido mais puro da palavra.

MadMax_Poster

Ficha Técnica:

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)

Direção: George Miller

Produção: Doug Mitchell, George Miller e P. J. Voeten

Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy e Nico Lathouris

Gênero: Ação

Distribuição: Warner Bros.

Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Rosie Huntington-Whiteley, Riley Keough, Zoë Kravitz, Abbey Lee e Courtney Eaton

Lançamento: 2015

 

George Miller retorna com Mad Max, franquia que o consagrou e, para nossa alegria, volta em grande estilo. Lançado em maio de 2015, este Mad Max: Estrada da Fúria é um filme de ação no sentido mais puro e simples da palavra (não por acaso a descrição de gênero é “somente” ação), premiando o espectador com um espetáculo sensorial e quantidades absurdas de adrenalina e energia, capazes de proporcionar a estupenda experiência que o gênero ação deveria dar.

Ambientado num mundo pós-apocalíptico que parece ter se tornado um grande deserto, onde a água e o combustível são materiais preciosos e a única cidade onde há água represada se tornou subordinada ao tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), Estrada da Fúria já começa com Max Rockatansky (Tom Hardy) sendo capturado pelos capangas do vilão. Tão logo somos apresentados a Imperator Furiosa (Charlize Theron), que trai Joe e foge da cidadela governada pelo tirano com uma grandiosa máquina de guerra e o harém particular do soberano cruel. Pronto, estão ajustados os pontos, temos um plot.

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Visualmente, Mad Max: Estrada da Fúria é um espetáculo deslumbrante. George Miller trabalha as cenas de ação com brilhante maestria, aliando uma ótima fotografia, edição e trilha sonora. O filme inteiro é recheado de tais cenas, apresentando poucos minutos de projeção para retomar o fôlego, e quanto mais o longa avança, mais conseguimos imergir na insanidade das mesmas. O diretor consegue filmar em diversos ângulos, e sempre usa planos abertos para dar a dimensão de tudo envolvido na cena, seja o cenário de fundo, sejam os carros, sejam os personagens (inclusive um carro de som gigante com um guitarrista tocando em meio às perseguições!) ou mesmo as explosões. A câmera é um show a parte, consegue captar os movimentos sem confundir o espectador e sem a tremedeira habitual dos filmes de ação, contribuindo ainda mais para a imersão na cena. Maquiagem, figurinos, iluminação e paleta de cores, estão todos lá, e todos se aquedam perfeitamente ao espetáculo.

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Em termos de desenvolvimento de história, temos uma relação íntima entre progressão do roteiro e filmagem. A narrativa se dá pelo espetáculo visual deslumbrante ao qual somos submergidos. Como o roteiro é muito simples, não há incoerências ou problemas estruturais graves. A construção de mundo é feitas nos primeiros 20 minutos e é suficiente para entendermos como aquele mundo funciona e como agem aquelas pessoas. Os diálogos são simplórios, mas nunca entediantes ou mal construídos. Os propósitos narrativos são cumpridos com maestria, pois a energia e a insanidade de Estrada da Fúria premiam o espectador com uma experiência de cinema fabulosa. A energia e o delirante ritmo do filme beiram a absurdos que precisam de uma forte suspensão de descrença em alguns momentos, o que nunca é bom. Por exemplo, na sequência da tempestade de areia é difícil crer que Max tenha sobrevivo, ainda mais depois de tudo que passara. O final do filme, embora agradável, é bastante previsível.

Os personagens seguem a ideia geral da obra, simplicidade e energia. Todos são assim, definidos por motivações claras, e todos se mostram cheios de energia. O que esperar de um autêntico filme de ação? Que seus personagens ajam. E é exatamente isso que os mesmo fazem. Max é atormentado pelo passado, quer viver sozinho e fugir das mãos de Immortal Joe. Não há desenvolvimento sobre seu passado, mas sua motivação é clara e ele consegue ser interessante devido suas atitudes e força em ação. Imperator Furiosa é, no fundo, a grande protagonista do longa. Forte e imponente, é quem dita o ritmo da história e tem suas motivações mais bem construídas e trabalhadas. Nox (Nicholas Hoult) é o único personagem que tem um desenvolvimento na obra, embora não aprofundado. O vilão Immortal Joe é visualmente muito ameaçador, embora seu papel no filme se resuma a caçar Furiosa e nada mais, ele parece estar no piloto automático durante a projeção. Poderia ser melhor. Há ainda as mulheres que acompanham Furiosa e que também acabam mostrando-se fortes e determinadas.

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Mad Max: Estrada da Fúria também tem algumas ambições temáticas. Há ali uma ideia de redenção, representada pela Furiosa, e também uma suave crítica à idolatria e um convite à busca por liberdade. Sobrevivência é outro tema recorrente no filme e o primeiro a ser citado. Infelizmente, esses temas ganham pouquíssimo destaque. Outro ponto interessante na projeção é a valorização de figuras heróicas, guerreiras e, principalmente, líderes, evidenciado da forma mais prática possível em Furiosal. Existem notáveis referências aos antigos longas da franquia e os fãs mais fervorosos devem perceber e se deleitarem com mais esse aperitivo do filme.

Ainda que apresente alguns problemas, como um exagero demasiado em momentos pontuais, um vilão pouco interessante e um final muito previsível. Estrada da Fúria é carregado de energia, de intensidade e de insanidade, e por isso proporciona ao espectador um deslumbre sensorial incrível. Com certeza, suas cenas de tirar o fôlego (literalmente!) estarão guardadas na mente dos cinéfilos como boas recordações deste ótimo longa.

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Sobre Thiago

Um grão de areia no olho do furacão.

Publicado em 21 de fevereiro de 2016, em Review e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Ótima crítica! Fiquei com vontade de ver o filme.

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