Review – Pixels, um filme propositalmente imbecil?

Uma péssima homenagem de Adam Sandler aos clássicos jogos eletrônicos.

filme-pixelsFicha Técnica:

Pixels

Direção: Chris Columbus

Produção: Chris Columbus, Adam Sandler, Allen Covert e Mark Radcliffe

Roteiro: Tim Herlihy e Timothy Dowling

Gênero: Comédia, Ação, Ficção Científica

Distribuição: Columbia Pictures

Elenco: Adam Sandler, Michelle Monaghan, Josh Gad, Peter Dinklage, Kevin James, Ashley Benson, Jane Krakowski, Brian Cox e Denis Akiyama

Lançamento: 2015

Lançado em junho de 2015, Pixels é um filme estrelado e produzido por Adam Sandler com direção de Chris Columbus, com têm origens e inspirações no curta-metragem homônimo do francês Patrick Jean (2010). O longa poderia ser uma espécie de homenagem aos clássicos jogos eletrônicos, como Donkey Kong, Pac-Man e Asteroids, e até mesmo, de certa forma, aos anos 80. Infelizmente, ele não faz isso e sequer consegue ser um filme com o mínimo de enredo ou sentido.

A premissa de Pixels é que alienígenas interpretaram que a Terra enviara a eles um convite de guerra ao transmitir um arquivo em vídeo com imagens dos clássicos jogos eletrônicos. A partir daí uma guerra interplanetária se instala, onde os extra terrestres atacarão o planeta com materializações de energia luminosa dos clássicos personagens dos jogos, colocando a Terra em sérios perigos. Cabe a Sam Brenner (Adam Sandler), antigo campeão de vídeo-games nos anos 80, e outros jogadores veteranos combaterem a ameaça e salvar o mundo.

O longa é visualmente um show de luzes e efeitos que não contribuem em nada para a sua narrativa, visto que nos supostos momentos de tensão, onde a Terra deveria estar ameaçada, tudo que vemos são seres brilhantes que não apresentam ameaça nenhuma. O diretor não consegue contornar esse problema, aliás, ele parece querer seguir o caminho contrário e transforma as supostas ameaças em seres bobos e infantis (vide a cena em que a centopeia vai dançar junto com uma senhora), numa tentativa podre, e totalmente anticlimática, de efeito cômico. Aliás, não se vê nada de impactante na fotografia ou nos efeitos visuais empregados no longa. O único destaque é a trilha sonora que conta com músicas como “We Will Rock You” e uma divertida “Game On”, esta última feita para o filme.

cena-do-filme-pixels

Em Pixels temos, assim como na maioria dos filmes de Adam Sandler, uma gama de personagens rasos, imbecis e toscos, que tentam ser engraçados em situações óbvias, forçadas e, diversas vezes, incoerentes. O protagonista da película, Sam Brenner, era um garoto inteligente, campeão de vídeo-game, e um fracasso profissional que volta a glória como salvador da Terra no fim do filme. Jogado em situações imbecis, desenvolve também uma relação forçada e sem química com a tenente-coronel Violet Von Patten. Esta por sua vez é a segunda personagem mais incoerente da trama, mostra-se frágil no início do filme ao chorar e beber pela traição do marido, e depois se revela uma mulher de cargo alto na força de segurança da Casa Branca. Não tem função nenhuma no filme, a não ser se tornar o par do protagonista no final.

Indo além do casal principal, temos o mais incoerente personagem de Pixels, o deplorável Will Coper (Kevin James), amigo de infância de Sam. Mostrava-se não muito inteligente, mas inexplicavelmente torna-se o presidente da república e, quando você pensa que ele deve ter mudado e se tornado um cara sério, demonstra-se o mais imbecil de todos os personagens da trama (Fala sério, como aquele cara virou presidente?). Ainda temos Eddie Plant (Peter Dinklage) que é o mais coerente dentre todos, e o único que não é revoltante em cena. Além de Ludlow Lamonsoff (Josh Gad), que também é um personagem irritante, inconsequente, maluco e tosco, mas que pelo menos não é incoerente.

Pixels4

O desenvolvimento de Pixels é idiota, aliás, é tão imbecil que me recuso a acreditar que não foi intencional. Seja como for, o resultado foi horrível e tivemos um roteiro fraquíssimo, cheio de incoerências, absurdos, deus ex-machina, sem a mínima construção de mundo, originalidade e capacidade de entretenimento. A começar pela ameaça alienígena, onde temos um motivo jogado, sem a mínima exploração ou explicação e que, ou você apela para uma forte suspensão de descrença e aceita ou sequer supera 20 minutos de projeção. O humor e os diálogos de Pixels são os mesmos dos outros filmes de Adam Sandler, revelando uma pobreza inquestionável no longa. Os únicos momentos de risadas proporcionados não são pelas situações que o roteiro trabalha, mas pela imbecilidade de um ator ou um roteirista em atuar ou escrever, respectivamente, uma dada cena.

Pixels não têm ambições temáticas, a película tem 108 minutos de pura idiotice e palhaçada. Talvez ele devesse ser uma homenagem aos nerds, geeks ou gamers, mas falha miseravelmente até nesse ponto. Primeiramente, num filme de 2015, tentar cativar uma geração da década de 1980 já é por si só um tiro contra o próprio pé, quando se coloca personagens como o de Josh Gad e trás resoluções para ele como a que foi feita (aquilo não foi um deus ex-machina, foi um deus sex-machina!) temos a figura do nerd/gamer/geek ridicularizada ao extremo. Aliás, há falhas pontuais e infantis também na dinâmica das batalhas contra as criaturas, como quando o Pac-Man corre atrás de Sam, e ele, de marcha ré, e que deveria estar muito mais lento, consegue os improváveis 10 segundos.

Em suma, Pixels falha miseravelmente como filme, como homenagem aos clássicos jogos eletrônicos e como entretenimento. Entra para o vasto grupo das patéticas, toscas e banais obras de Adam Sandler. Infelizmente, não há nada de relevante para se aproveitar assistindo esse filme.

Anúncios

Sobre Thiago

Um grão de areia no olho do furacão.

Publicado em 5 de fevereiro de 2016, em Review e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Filme horrível, só assisti pra ver a linda da Ashley Benson ❤

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: