Arquivo mensal: fevereiro 2016

Abre o Jogo – Até onde vai Diego Simeone com o Atlético de Madrid?

O Atlético de Madrid passou a brigar de igual pra igual com Barcelona e Real Madrid na Espanha. Não só isso, muitas vezes o time de Diego Simeone supera os gigantes espanhóis. Um feito e tanto para um time com investimentos e mídia largamente inferiores. Mas de onde os Colchoneros tiram forças para acompanhar os estrelados rivais? E qual é o segredo desse sucesso?

Alcançar a fórmula do sucesso não é uma tarefa fácil, pois é um processo que envolve muitas variáveis. No caso do Atlético de Madrid, podemos até citar alguns fatores importantes como a boa gestão do time na compra e venda de jogadores, o ótimo trabalho do clube em olhar mercados menores e fazer contratações de atletas baratos e que dão ótimos resultados em longo prazo, além do investimento chinês feito recentemente no clube. Contudo, é inegável que o maior nome do sucesso do Atlético é Diego Simeone.

Diego Simeone Atletico Madrid

Simeone chegou ao Atlético como treinador em 2011.

Simeone jogou no Atlético de Madrid entre 1994 e 1997, retornando entre 2003 e 2005. Nessas duas passagens virou ídolo da torcida por sua garra, alta capacidade de marcação e extrema dedicação em campo. Em 2011, assumiu o comando técnico do time e desde então colocou os Colchoneros novamente entre os grandes, não só da Espanha, como de toda a Europa. Campeão da UEFA Europa League em 2011-12, da Supecopa da UEFA em 2012, da Copa do Rei 2012-13 (em cima do rival Real Madrid) e do Campeonato Espanhol 2013-14, onde o Atlético fez a maior pontuação de sua história em La Liga (88 pontos). Ainda na temporada 2013-14, chegou a final da UEFA Champions League após 41 anos, enfrentando o rival Real Madrid, mas perdendo o título ao sofrer um gol no último minuto. Depois ainda ganhou a Supercopa da Espanha em 2014.

Após todas essas conquistas, o Atlético estava novamente firmado como um dos principais times do mundo. Com os holofotes apontados, os gigantes endinheirados viraram os olhos para os Colchoneros e um verdadeiro desmanche estava anunciado. Como Simeone iria se virar? Todos davam como certa a queda do Atlético, o time não conseguiria mais acompanhar Barcelona e Rela Madrid, mas não foi o que aconteceu.

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Atlético de Madrid de Simeone foi campeão espanhol na temporada 2013-14

Terceiro colocado em La Liga 2014-15, o Atlético foi eliminado da UEFA Champions League daquela temporada pelo rival Real Madrid, em dois jogos equilibrados, em que o Real venceu o segundo por 1 x 0, após empate sem gols no primeiro jogo. Antes do jogo, o Atlético sustentava um tabu de nove jogos sem perder para o rival, a maior marca das últimas décadas do clube.

Após uma boa temporada, em meio a reformulações e tudo mais, o Atlético voltou com tudo na atual temporada. Após um começo um pouco irregular, o time virou o turno do Campeonato Espanhol na liderança, tem a melhor defesa da competição com incríveis 11 gols sofridos em 26 partidas e joga com uma regularidade incrível. Presente nas oitavas da Champions League, o clube segue vivo na busca pelo sonhado título máximo da Europa. É possível? Plenamente.

Toda a história recente do Atlético já seria notável independente de quais ligas ele disputasse, mas no seu caso específico, é ainda mais surpreendente porque o time enfrenta Barcelona e Real Madrid. Claro que não passa de especulação, mas o desempenho recente desses times na Champions League levam a crer que eles dificilmente seriam batidos em outras ligas, que não, a espanhola. Logo, a performance dos Colchoneros é ainda mais relevante.

diego-simeone

O Atlético subiu de patamar com Diego Simeone.

Simeone é o principal responsável por esse desempenho? Obviamente sim. Os números evidenciam, mas a filosofia de jogo do Atlético é ainda mais assustadora quando devidamente observada. Um time totalmente reformulado e que consegue manter um padrão de jogo com um nível de entrega e competitividade absurdo. Saem jogadores, novos chegam, o entrosamento continua, a garra continua, a coletividade permanece, o sistema defensivo é coeso ao ponto de atingir níveis quase intransponíveis e o espírito é o mesmo há quase cinco anos. A alma de Simeone está no jogo Colchonero e isso o faz ainda mais ídolo da torcida!

O Atlético de Madrid já é um rival a altura de Barcelona, de Real Madrid e de qualquer time na Europa, isso é fato. Vai ganhar sempre? Obviamente não. Não se pode ganhar todas. O certo é que o time vai competir, vai lutar e vai chegar, tal como o espírito de seu treinador. Duvidar da força do Atlético já está fora de questão. Agora, a pergunta que fica é a seguinte: Até onde vai Diego Simeone? Não podemos saber. Sabemos que a idolatria da torcida Diego já tem e, caso ele não saia do Atlético para assumir a seleção argentina ou o Chelsea (como se especula em alguns lugares), pode ir longe, muito longe. Quem sabe podemos ver surgir um Alex Ferguson na Espanha? O futebol agradeceria.

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Review – Mad Max: Estrada da Fúria, um filme de tirar o fôlego

Um filme de ação no sentido mais puro da palavra.

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Ficha Técnica:

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)

Direção: George Miller

Produção: Doug Mitchell, George Miller e P. J. Voeten

Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy e Nico Lathouris

Gênero: Ação

Distribuição: Warner Bros.

Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Rosie Huntington-Whiteley, Riley Keough, Zoë Kravitz, Abbey Lee e Courtney Eaton

Lançamento: 2015

 

George Miller retorna com Mad Max, franquia que o consagrou e, para nossa alegria, volta em grande estilo. Lançado em maio de 2015, este Mad Max: Estrada da Fúria é um filme de ação no sentido mais puro e simples da palavra (não por acaso a descrição de gênero é “somente” ação), premiando o espectador com um espetáculo sensorial e quantidades absurdas de adrenalina e energia, capazes de proporcionar a estupenda experiência que o gênero ação deveria dar.

Ambientado num mundo pós-apocalíptico que parece ter se tornado um grande deserto, onde a água e o combustível são materiais preciosos e a única cidade onde há água represada se tornou subordinada ao tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), Estrada da Fúria já começa com Max Rockatansky (Tom Hardy) sendo capturado pelos capangas do vilão. Tão logo somos apresentados a Imperator Furiosa (Charlize Theron), que trai Joe e foge da cidadela governada pelo tirano com uma grandiosa máquina de guerra e o harém particular do soberano cruel. Pronto, estão ajustados os pontos, temos um plot.

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Visualmente, Mad Max: Estrada da Fúria é um espetáculo deslumbrante. George Miller trabalha as cenas de ação com brilhante maestria, aliando uma ótima fotografia, edição e trilha sonora. O filme inteiro é recheado de tais cenas, apresentando poucos minutos de projeção para retomar o fôlego, e quanto mais o longa avança, mais conseguimos imergir na insanidade das mesmas. O diretor consegue filmar em diversos ângulos, e sempre usa planos abertos para dar a dimensão de tudo envolvido na cena, seja o cenário de fundo, sejam os carros, sejam os personagens (inclusive um carro de som gigante com um guitarrista tocando em meio às perseguições!) ou mesmo as explosões. A câmera é um show a parte, consegue captar os movimentos sem confundir o espectador e sem a tremedeira habitual dos filmes de ação, contribuindo ainda mais para a imersão na cena. Maquiagem, figurinos, iluminação e paleta de cores, estão todos lá, e todos se aquedam perfeitamente ao espetáculo.

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Em termos de desenvolvimento de história, temos uma relação íntima entre progressão do roteiro e filmagem. A narrativa se dá pelo espetáculo visual deslumbrante ao qual somos submergidos. Como o roteiro é muito simples, não há incoerências ou problemas estruturais graves. A construção de mundo é feitas nos primeiros 20 minutos e é suficiente para entendermos como aquele mundo funciona e como agem aquelas pessoas. Os diálogos são simplórios, mas nunca entediantes ou mal construídos. Os propósitos narrativos são cumpridos com maestria, pois a energia e a insanidade de Estrada da Fúria premiam o espectador com uma experiência de cinema fabulosa. A energia e o delirante ritmo do filme beiram a absurdos que precisam de uma forte suspensão de descrença em alguns momentos, o que nunca é bom. Por exemplo, na sequência da tempestade de areia é difícil crer que Max tenha sobrevivo, ainda mais depois de tudo que passara. O final do filme, embora agradável, é bastante previsível.

Os personagens seguem a ideia geral da obra, simplicidade e energia. Todos são assim, definidos por motivações claras, e todos se mostram cheios de energia. O que esperar de um autêntico filme de ação? Que seus personagens ajam. E é exatamente isso que os mesmo fazem. Max é atormentado pelo passado, quer viver sozinho e fugir das mãos de Immortal Joe. Não há desenvolvimento sobre seu passado, mas sua motivação é clara e ele consegue ser interessante devido suas atitudes e força em ação. Imperator Furiosa é, no fundo, a grande protagonista do longa. Forte e imponente, é quem dita o ritmo da história e tem suas motivações mais bem construídas e trabalhadas. Nox (Nicholas Hoult) é o único personagem que tem um desenvolvimento na obra, embora não aprofundado. O vilão Immortal Joe é visualmente muito ameaçador, embora seu papel no filme se resuma a caçar Furiosa e nada mais, ele parece estar no piloto automático durante a projeção. Poderia ser melhor. Há ainda as mulheres que acompanham Furiosa e que também acabam mostrando-se fortes e determinadas.

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Mad Max: Estrada da Fúria também tem algumas ambições temáticas. Há ali uma ideia de redenção, representada pela Furiosa, e também uma suave crítica à idolatria e um convite à busca por liberdade. Sobrevivência é outro tema recorrente no filme e o primeiro a ser citado. Infelizmente, esses temas ganham pouquíssimo destaque. Outro ponto interessante na projeção é a valorização de figuras heróicas, guerreiras e, principalmente, líderes, evidenciado da forma mais prática possível em Furiosal. Existem notáveis referências aos antigos longas da franquia e os fãs mais fervorosos devem perceber e se deleitarem com mais esse aperitivo do filme.

Ainda que apresente alguns problemas, como um exagero demasiado em momentos pontuais, um vilão pouco interessante e um final muito previsível. Estrada da Fúria é carregado de energia, de intensidade e de insanidade, e por isso proporciona ao espectador um deslumbre sensorial incrível. Com certeza, suas cenas de tirar o fôlego (literalmente!) estarão guardadas na mente dos cinéfilos como boas recordações deste ótimo longa.

Cavadinha – A história da brilhante, mas não original, jogada de Messi

No último jogo do Barcelona, o trio MSN voltou a brilhar intensamente. Com três gols de Luís Suárez, grandes jogadas e gol de Neymar, além de outra atuação magnífica de Lionel Messi, o Barcelona venceu o Celta de Vigo por 6 a 1. Rakitic marcou o outro gol da equipe catalã. Porém, o que mais chamou a atenção foi o terceiro gol de Suárez, nascido da jogada mais diferente do final de semana.

Trio MSN mostrou mais uma vez o seu poder de ataque

Trio MSN voltou a ter atuação de gala.

O que aconteceu foi o seguinte: pênalti para o Barcelona, Messi na bola e… Assistência para o gol de Luisito. Isso mesmo, o Messi deu uma assistência de pênalti! Mas isso é permitido? Sim, desde que o passe seja feito para frente e o jogador a receber a bola não invada o limite de 9,15 m antes do cobrador rolar a bola. O gol foi muito legal, mas foi irregular porque, apesar do argentino rolar a bola para frente, Suárez invadiu a meia-lua da grande área, infringindo os 9,15 m antes do toque de Leo na bola.

Detalhes a parte, o mais impressionante foi a reação do publico com o gol de Messi. Pouco tempo depois as redes sociais já estavam tomadas de elogios à genialidade e inventividade de Messi. De fato, foi um gol muito legal e diferente, mas passou longe de ser algo original. Johann Cruyff fez um gol assim em 1982. O lance  é ainda mais emblemático porque foram três toques na bola, dois passes até a conclusão para o gol!

Cruyff e Euller também cobraram pênaltis como Messi.

O América-MG também fez um gol assim, em 2008, no último jogo da segunda divisão do campeonato mineiro daquele ano. Na jogada, Euller, o filho do vento, rolou a bola para Douglas marcar. Há outros registros de pênaltis cobrados assim, basta procurar no YouTube.

Apesar do gol de Cruyff ser o mais famoso, e apontados por muitos como o pioneiro nesse estilo, o grande inventor do pênalti em mais de um toque foi o ex-atacante belga Rik Coppens. O registro data de 1957 e é o mais antigo para um pênalti cobrado dessa maneira! Coppens morreu em 5 de fevereiro de 2015, mas está eternizado na história como o verdadeiro inventor de uma das jogadas mais singulares do futebol. Ninguém duvida de da genialidade de Messi, e a jogada foi mesmo bem impressionante, mas vamos dar os devidos créditos a quem merece.

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Rik Coppens, o inventor do pênalti em mais de um toque.

Clique aqui para conhecer um pouco mais sobre a história de Rik Coppens.

Clique aqui para ver o  pênalti cobrado por Rik Coppens.

Clique aqui para ver o pênalti cobrado por Johann Cruyff.

Clique aqui para ver o pênalti cobrado por Euller, do América-MG.

Clique aqui para ver o pênalti cobrado por Lionel Messi.

Cavadinha – Mauro Naves da zueira?

Mauro César Vieira Naves, nascido no Rio de janeiro em 24 de junho de 1959, é um dos principais repórteres esportivos da TV Globo. Sempre transpareceu ser um profissional sério e compromissado, com palavras contundentes, simples e diretas. Nunca demonstrou gostar de brincadeiras, quanto mais ter a zueira correndo nas veias. O engraçado é que esse senhor, já próximo dos seus 60 anos, tem relevado uma faceta diferente nos últimos tempos.

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Mauro Naves apareceu em um vídeo, vazado na internet, provocando Neto, ex-jogador de futebol, consagrado no Corinthians, e hoje comentarista da TV Bandeirantes. Neto, que ao contrário de Mauro, nunca teve muitas “medidas” em suas declarações, tratou logo de compartilhar o vídeo em suas próprias redes sociais agradecendo o ibope dado pelo repórter. Para ver o vídeo você pode clicar aqui. E para ver o vídeo completo, clique aqui.

O mais hilário é que essa não foi a primeira vez que Mauro Naves revelou essa faceta da zueira. Recentemente, o repórter caiu numa brincadeira do Facebullying, quadro do show de Stand Up de Muurício Meirelles. No quadro, o jornalista, desconhecendo a situação que se encontrava, faz várias brincadeiras no maior estilo tiozão.  Para acessar o vídeo, clique aqui. Vale a pena conferir!

Agora, fica a pergunta: seria Mauro Naves um “tiozão da zueira” despertado? Aguardemos as próximas brincadeiras.

 

Review – Pixels, um filme propositalmente imbecil?

Uma péssima homenagem de Adam Sandler aos clássicos jogos eletrônicos.

filme-pixelsFicha Técnica:

Pixels

Direção: Chris Columbus

Produção: Chris Columbus, Adam Sandler, Allen Covert e Mark Radcliffe

Roteiro: Tim Herlihy e Timothy Dowling

Gênero: Comédia, Ação, Ficção Científica

Distribuição: Columbia Pictures

Elenco: Adam Sandler, Michelle Monaghan, Josh Gad, Peter Dinklage, Kevin James, Ashley Benson, Jane Krakowski, Brian Cox e Denis Akiyama

Lançamento: 2015

Lançado em junho de 2015, Pixels é um filme estrelado e produzido por Adam Sandler com direção de Chris Columbus, com têm origens e inspirações no curta-metragem homônimo do francês Patrick Jean (2010). O longa poderia ser uma espécie de homenagem aos clássicos jogos eletrônicos, como Donkey Kong, Pac-Man e Asteroids, e até mesmo, de certa forma, aos anos 80. Infelizmente, ele não faz isso e sequer consegue ser um filme com o mínimo de enredo ou sentido.

A premissa de Pixels é que alienígenas interpretaram que a Terra enviara a eles um convite de guerra ao transmitir um arquivo em vídeo com imagens dos clássicos jogos eletrônicos. A partir daí uma guerra interplanetária se instala, onde os extra terrestres atacarão o planeta com materializações de energia luminosa dos clássicos personagens dos jogos, colocando a Terra em sérios perigos. Cabe a Sam Brenner (Adam Sandler), antigo campeão de vídeo-games nos anos 80, e outros jogadores veteranos combaterem a ameaça e salvar o mundo.

O longa é visualmente um show de luzes e efeitos que não contribuem em nada para a sua narrativa, visto que nos supostos momentos de tensão, onde a Terra deveria estar ameaçada, tudo que vemos são seres brilhantes que não apresentam ameaça nenhuma. O diretor não consegue contornar esse problema, aliás, ele parece querer seguir o caminho contrário e transforma as supostas ameaças em seres bobos e infantis (vide a cena em que a centopeia vai dançar junto com uma senhora), numa tentativa podre, e totalmente anticlimática, de efeito cômico. Aliás, não se vê nada de impactante na fotografia ou nos efeitos visuais empregados no longa. O único destaque é a trilha sonora que conta com músicas como “We Will Rock You” e uma divertida “Game On”, esta última feita para o filme.

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Em Pixels temos, assim como na maioria dos filmes de Adam Sandler, uma gama de personagens rasos, imbecis e toscos, que tentam ser engraçados em situações óbvias, forçadas e, diversas vezes, incoerentes. O protagonista da película, Sam Brenner, era um garoto inteligente, campeão de vídeo-game, e um fracasso profissional que volta a glória como salvador da Terra no fim do filme. Jogado em situações imbecis, desenvolve também uma relação forçada e sem química com a tenente-coronel Violet Von Patten. Esta por sua vez é a segunda personagem mais incoerente da trama, mostra-se frágil no início do filme ao chorar e beber pela traição do marido, e depois se revela uma mulher de cargo alto na força de segurança da Casa Branca. Não tem função nenhuma no filme, a não ser se tornar o par do protagonista no final.

Indo além do casal principal, temos o mais incoerente personagem de Pixels, o deplorável Will Coper (Kevin James), amigo de infância de Sam. Mostrava-se não muito inteligente, mas inexplicavelmente torna-se o presidente da república e, quando você pensa que ele deve ter mudado e se tornado um cara sério, demonstra-se o mais imbecil de todos os personagens da trama (Fala sério, como aquele cara virou presidente?). Ainda temos Eddie Plant (Peter Dinklage) que é o mais coerente dentre todos, e o único que não é revoltante em cena. Além de Ludlow Lamonsoff (Josh Gad), que também é um personagem irritante, inconsequente, maluco e tosco, mas que pelo menos não é incoerente.

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O desenvolvimento de Pixels é idiota, aliás, é tão imbecil que me recuso a acreditar que não foi intencional. Seja como for, o resultado foi horrível e tivemos um roteiro fraquíssimo, cheio de incoerências, absurdos, deus ex-machina, sem a mínima construção de mundo, originalidade e capacidade de entretenimento. A começar pela ameaça alienígena, onde temos um motivo jogado, sem a mínima exploração ou explicação e que, ou você apela para uma forte suspensão de descrença e aceita ou sequer supera 20 minutos de projeção. O humor e os diálogos de Pixels são os mesmos dos outros filmes de Adam Sandler, revelando uma pobreza inquestionável no longa. Os únicos momentos de risadas proporcionados não são pelas situações que o roteiro trabalha, mas pela imbecilidade de um ator ou um roteirista em atuar ou escrever, respectivamente, uma dada cena.

Pixels não têm ambições temáticas, a película tem 108 minutos de pura idiotice e palhaçada. Talvez ele devesse ser uma homenagem aos nerds, geeks ou gamers, mas falha miseravelmente até nesse ponto. Primeiramente, num filme de 2015, tentar cativar uma geração da década de 1980 já é por si só um tiro contra o próprio pé, quando se coloca personagens como o de Josh Gad e trás resoluções para ele como a que foi feita (aquilo não foi um deus ex-machina, foi um deus sex-machina!) temos a figura do nerd/gamer/geek ridicularizada ao extremo. Aliás, há falhas pontuais e infantis também na dinâmica das batalhas contra as criaturas, como quando o Pac-Man corre atrás de Sam, e ele, de marcha ré, e que deveria estar muito mais lento, consegue os improváveis 10 segundos.

Em suma, Pixels falha miseravelmente como filme, como homenagem aos clássicos jogos eletrônicos e como entretenimento. Entra para o vasto grupo das patéticas, toscas e banais obras de Adam Sandler. Infelizmente, não há nada de relevante para se aproveitar assistindo esse filme.