Review – Fúria de Titãs, a personificação da falta de desenvolvimento narrativo

Não dava para esperar muito de um diretor que é fã de Cavaleiros do Zodíaco, né?

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Ficha Técnica:

Fúria de Titãs (Clash of the Titans)

Direção: Louis Leterrier

Produção: Basil Iwanyk, Kevin De La Noy e Richard D. Zanuck

Roteiro: Travis Beacham e Phil Hay

Gênero: Ação, Aventura, Fantasia

Distribuição: Warner Bros. Pictures

Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Gemma Arterton, Mads Mikkelsen, Alexa Davalos e Danny Huston

Lançamento: 2010

O diretor de Fúria de Titãs, Louis Leterrier, declarou-se fã de Cavaleiros do Zodíaco e disse que este Fúria de Titãs era também uma homenagem ao mangá de Masami Kurumada. Bem, por aí já podíamos imaginar que não teríamos um grande trabalho… E realmente não foi. Baseado na mitologia grega, Fúria de Titãs conta a história de Perseu (sim, o semideus irmão de Hércules e famoso por decapitar a Medusa), porém com grandes diferenças em relação ao mito original. Mergulhado no riquíssimo universo da mitologia grega, Fúria de Titãs não consegue desenvolver nenhum de seus temas e plots, culminando num trabalho vazio e pouco produtivo.

Em termos mais técnicos, Fúria de Titãs não é ruim (embora não seja brilhante), conseguindo ser eficaz com seus muitos efeitos especiais. As cenas de ação, embora não sejam bem desenvolvidas narrativamente falando, pelo menos conseguem ser minimamente divertidas. O design de produção, o figurino, a fotografia, os cenários e a trilha sonora não comprometem, o que já é um alívio. Há algumas cenas em slow motion que não acrescentam em nada, mas não chegam a atrapalhar também.

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Os personagens de Fúria de Titãs são sofríveis, a começar pelo seu protagonista. Perseu não tem nenhum desenvolvimento durante o longa, mostrando-se um personagem raso, sem carisma, com um background vazio e incapaz de conduzir a atenção do espectador. Suas ações são motivadas pela vingança contra Hades e só. Sua resolução e desenvolvimentos amorosos são péssimos e a atuação de Sam Worthington também não consegue salvar o personagem. Andrômeda e Io são as duas mocinhas do filme (isso mesmo, duas!) e obviamente nenhuma das duas funciona. Aliás, a primeira não parece ter significado nenhum para existir no filme, pois sequer nos importamos com ela, já que não desenvolve nada com o protagonista (e o pior é que ela o convida para ser seu rei no final!). Já com a segunda, até há um pequeno desenvolvimento, mas superficial e forçado o suficiente para que o espectador comemore a “morte” dela. Hades e Zeus parecem agir como robôs no filme, mais mecânicos impossível, e obviamente, não há nenhum desenvolvimento na relação entre eles. Os outros personagens também não tem nenhum desenvolvimento, sendo totalmente esquecíveis (alguém lembra o nome de algum deles pelo menos?).

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Os personagens de Fúria de Titãs são um ponto fraquíssimo do longa, mas é no roteiro que temos as maiores decepções. Para começar, não existe uma construção de mundo, os roteiristas parecem pressupor que o espectador já deva conhecer a mitologia grega. Não há um desenvolvimento de história, as transições para os desafios que Perseu deve enfrentar acontecem de maneira abrupta, não há uma conexão clara entre as situações expostas, não há originalidade, propósito ou empolgação com praticamente nenhuma sequência. Os plots apresentados, como por exemplo, os deuses se alimentarem das orações humanas e a insubmissão dos humanos, não são bem desenvolvidos. No final temos a impressão de que os personagens estão simplesmente sendo jogados de um lado para o outro porque sim, é necessário ao roteiro. Aliás, uma das partes em que essa imbecil inconsistência narrativa fica mais evidente é quando Zeus (o viril Deus do Olimpo) traz de volta Io, que deveria estar morta, para ser a companheira de Perseu, simplesmente porque ele (como filho do garanhão do Olimpo) não podia ficar sozinho.

Clash of the Titans

O filme até consegue ter boas sequências de ação, e transita bem, em alguns momentos, na mitologia grega, mas é muito pouco! Tematicamente o filme não tem nada a dizer, não traz nenhuma mensagem relevante e não consegue gerar nenhuma empatia no espectador. Perseu é irritante e incoerente ao afirmar, por diversas vezes durante a projeção, querer vencer como humano e não aceitar os presentes divinos, sendo que no final (e contraditoriamente depois que seus companheiros morreram) ele resolve aceitar os itens mágicos (afinal de onde veio aquela espada?) e lutar como um semideus. O fim da película é podre, com um superestimado Kraken (dito no filme bem mais assustador do que provou ser) sendo derrotado estranhamente e facilmente pelo olhar da Medusa, direcionado por Perseu.

Com pouco mais de uma hora e meia de duração, Fúria de Titãs pode agradar a quem goste de uma ação pura e com bons efeitos especiais, mas é preciso ter uma grande suspensão de descrença e que o espectador não exija mais nada do longa. Como já dito, narrativamente fraco, incoerente e vazio, essa homenagem a Cavaleiros do Zodíaco é tão ruim quanto a própria obra de Masami Kurumada.

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Sobre Thiago

Um grão de areia no olho do furacão.

Publicado em 16 de dezembro de 2015, em Review e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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