Arquivo mensal: novembro 2015

Top X – Os 9 Momentos Mais Marcantes de Fullmetal Alchemist

Esta é a seção Top X, onde elaboramos um Top que pode ser sobre os mais diversos assuntos. A letra X no título é propositalmente uma incógnita, pois poderemos fazer um Top com qualquer valor.

fullmetal_alchemist_manga_1_viz

Fullmetal Alchemist é um dos melhores mangás Shounens já feitos e são inúmeros os motivos que justificam a excepcional qualidade dessa obra. Sucesso de crítica e comercial, o mangá, de autoria de Hiromo Arakawa, foi publicado pela editora Square Enix, na revista Montly Shounen Gangan, entre agosto de 2001 e junho de 2010 rendendo 27 tankobons, além de dois animes, filmes, jogos e muito mais. Destaque para a brilhante segunda adaptação do mangá, feita pelo estúdio Bones e chamada de Fullmetal Alchemist Brotherhood, fiel e muito bem animada numa série que contabilizou 64 episódios.

Enfim, o sucesso e qualidade de Fullmetal Alchemist são notórios e discutir todas elas é assunto para outro post, mais a frente. Nesse Top X, vamos apenas lembrar 9 momentos que consideramos os mais marcantes desta incrível série.

[AVISO: O TEXTO ABAIXO CONTÉM SPOILERS!!! SE VOCÊ AINDA NÃO LEU OU ASSISTIU A FULLMETAL ALCHEMIST, LEIA POR SUA CONTA E RISCO.]

9 – A Primeira Quimera
Fullmetal Alchimist é uma história que logo no início já se mostra séria. Contudo, a Arakawa sempre traz uma boa dosagem de humor e momentos leves no meio de sua trama. Quando ainda não acostumamos com esse padrão, temos um grande choque ao ver o destino final de Nina, uma pequena garotinha de 4 anos e seu cachorro, ao qual já nos acostumávamos a ver brincar com os protagonistas, numa inocência cativante. O destino da menina, fruto de uma atitude desprezível de seu próprio pai, é capaz de atordoar o leitor! Sem dúvidas um dos momentos mais marcantes de todo o mangá. Esse momento como um todo introduz o conceito por trás das quimeras.

Tuckerandnina

8 – King Bradley em batalha
King Bradley, o Führer, ou ainda Wrath, é um dos personagens mais fortes apresentados no universo de Fullmetal Alchemist. O mais legal? Ele luta apenas com armas brancas e seus próprios punhos! O único poder dele está em seu olho esquerdo, capaz de prever movimentos num nível extraordinário. O momento em questão se passa após o Bradley sofrer um atentado, onde tentaram jogá-lo de uma ponte junto com o trem onde o mesmo estava embarcado. Ao retornar ao campo de batalha o Führer demonstra toda sua capacidade física, desviando de tiros, destruindo um tanque e lutando e derrotando vários personagens de destaque, ao mesmo tempo! O que mais chama a atenção nessa cena é como a autora explora a capacidade do olho de Wrath, o poder de prever e antecipar movimentos. Simples, mas virtualmente imbatível! Aliás, era o que o Sharingan deveria ser, não é Kishimoto? Ponto para Hiromu Arakawa que não só explorou magnificamente esse poder, como também pôde criar momentos de ação muito marcantes.

kingbradleyeye

7 – Scar vs Bradley
Na luta entre Scar e King Bradley, logo após o Pai dos Homúnculos perder seus poderes divinos, Scar usa alquimia como último recurso. O Führer logo ataca o ishivaliano e questiona se ele perdeu sua crença no deus Ishivala. A alquimia é considerada uma heresia ao deus Ishivala, pois para eles a criação divina não deveria ser modificada pelos homens. Ao usar a Alquimia pela primeira para reconstruir a matéria, Scar atinge o auge de sua mudança como personagem. A cena também é marcante por questionar conceitos e tradições, como a religião e a existência de Deus e culmina com uma morte épica para Wrath.

6 – “Um é tudo e tudo é um.”
Quando Edward e Alphonse são abandonados numa ilha deserta por sua mestra Izumi, ela os desafia a entender o que é o universo e desvendar por que “Um é tudo e tudo é um”. Após aprenderem a sobreviver na ilha, os garotos chegam à resposta e ela pode parecer simples a primeira vista, mas na verdade é complexa e, sobretudo, espetacular. A expansão desse conceito, aliado aos conceitos de alquimia, da troca equivalente, de universo, de seu eu interior (também chamado de Deus interior), revelam um minucioso trabalho com referências ao budismo, ao caos grego, a interdependência de todos os fenômenos e, de modo geral, a própria vida e morte.

full-metal-alchemist-ed-al-entrainement-big

5 – Funeral de Maes Hughes
Como não lembrar a marcante cena do funeral de Maes Hughes? A construção para esse momento se assemelha a feita para o momento da Nina, onde a Arakawa também tem um cuidadoso trabalho em mostrar Hughes e sua família convivendo, seu amor para com sua filha e também para com sua esposa, seu imenso carisma e lealdade, sua competência como investigador e sua hospitalidade com os irmãos Elric. Toda essa construção culmina, após descobertas cruciais feitas por ele, em uma morte covarde e ao mesmo tempo épica. No funeral, temos a cena onde sua filhinha pergunta: “Por que estão enterrando o papai? Ele não vai poder ir trabalhar se eles fizerem isso.” E posteriormente a cena onde Roy Mustang diz a Riza Hawkeye que está começando a chover (quando na verdade não estava) e começa a chorar. Logo em seguida ele reforça suas palavras, se referindo a suas próprias lágrimas. Esse momento é, sem dúvidas, muito marcante tanto pela inocência da filha de Hughes, quanto pelo quebrantamento de um personagem tão forte quanto Mustang. Vale ressaltar a leve, e muito interessante, referência nos dizeres de Roy ao ótimo filme Blade Runner, onde o personagem, coincidentemente ou não, também chamado Roy (neste caso Roy Batty) encerra sua vida com os seguintes dizeres: “Eu vi coisas que vocês não imaginariam. Naves de ataque ardendo no ombro de Órion. Eu vi raios-c brilharem na escuridão próximos ao Portão de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer.”

roymustangcrying

4 – Edward encontra o corpo de Al

Edward finalmente descobre um jeito de escapar da dimensão para onde foi absorvido por Gluttony, para isso ele terá que abrir novamente a porta da verdade. É então que ele faz a transmutação usando a pedra filosofal dada por Envy, que continha as almas de pessoas da antiga Xerxes. Edward logo se vê diante de sua porta, então ele percebe que tem outra porta além da dele, era a porta de Alphonse. De frente para o corpo de seu irmão (que se encontrava desnutrido), Edward apenas corre em sua direção, sem dizer uma palavra. Ele apenas anseia em levá-lo consigo. Logo, o alquimista do aço é tragado por sua porta e puxado, quando finalmente grita por Alphonse. O corpo de Al responde: “Você não é minha alma, não posso ir com você.”. Chocado com a resposta, com o estado do corpo de Al e com a grande descoberta que fez, Edward é levado para dentro da porta e ela se fecha. Quando Al já começa a se lamentar, eis que surge Edward e num último respiro antes de ser definitivamente levado, faz uma promessa ao corpo de Al: “Algum dia eu com certeza virei buscá-lo! Espere por mim!”. Culminando com o fechamento da porta enquanto Ed aponta fixamente para Alphonse. Grande momento do mangá e do anime!

wallpaper-559890

3 – Morte de Envy
Envy é o homúnculo mais bem trabalhado na obra. Sua atitude e personalidade formam um perfeito paradoxo com o pecado que o mesmo representa, a inveja. E esse paradoxo atinge seu ápice na morte do personagem. Mustang, movido pela vingança a morte de Maes Hughes, ataca impiedosamente Envy, até o mesmo voltar a sua pequena e frágil forma original. Depois de Edward e Scar aparecerem e, juntamente com Hawkeye, cessarem a sede por vingança de Mustang e trazê-lo de volta a razão, Envy começa a enojar e insultar os sentimentos e as atitudes humanas, tentando em último momento colocar todos ali em conflito (para isso ele lembra as diferenças e desavenças dos presentes). Contudo, mesmo com todos os problemas existentes no passado dos humanos ali presentes, eles estão cooperando. Envy não consegue compreender os humanos, seus sentimentos e suas motivações. Edward finalmente questiona: “Envy, você tem inveja dos humanos, não é? Nós, humanos, somos muito mais fracos que vocês, homúnculos. Mas mesmo que estejamos derrotados, mesmos quando erramos em nossos caminhos, mesmo quando caímos, nós sempre levantamos. As pessoas ao nosso redor nos ajudam a levantar. Você tem invejas desses humanos.” Desolado, derrotado e humilhado, Envy sente-se completamente entendido por Edward e dá fim a própria vida numa cena espetacular.

x2+Envy+kills+himself

2 – O Homúnculo e seu Deus interior
Uma bolinha preta conversando com uma bolinha branca. Nessa cena temos o derrotado Pai dos Homúnculos, que regrediu a sua forma original ao perder a pedra filosofal, colocado frente a frente com sua porta da verdade (esta totalmente lisa, sem nenhum desenho ou marca, mostrando o quão vazio ele era) e com seu Deus interior. O objetivo do Homúnculo era obter todo o conhecimento do mundo e se tornar Deus de forma prática, mas ele sequer conseguiu entender a si mesmo, muito menos o mundo. Questionando a seu Deus interior porque ele não se tornou seu (quando na verdade ele já o era), o Pai dos Homúnculos recebe como resposta: “Porque você não acreditou em si mesmo. Você chegou ao tal poder divino usando e roubando o poder de outras pessoas. Você não evoluiu.” É então que o Homúnculo pergunta quem era aquele que falava, e houve como resposta: “Eu sou aquilo que vocês chamam de ‘mundo’, ou talvez ‘universo’, ou talvez ‘Deus’, ou talvez ‘verdade’, ou talvez ‘tudo’ ou talvez ‘um’. E eu sou você!” É nesse momento que ele mostra já ser pertencente ao Homúnculo e revela a antagônica atitude do mesmo. Tudo que ele fez foi para alcançar Deus, quando na verdade ele já o tinha dentro de si mesmo. Por fim, seu Deus interior o joga para dentro da porta da verdade e o tranca para sempre no desespero, castigo por sua despretensiosidade. Todo esse momento amarra vários conceitos e estabelece a importância de buscar as coisas por si mesmo, não depender das outras pessoas, e procurar sempre evoluir. Outra mensagem forte de Fullmetal Alchemist, passada com maestria nessa excepcional cena, e interligada com os conceitos de alquimia, troca equivalente, de universo, do todo e da unidade, citados também no item 2.

Homunculoandyourgod

1 – A última alquimia do “Alquimista do Aço”
Para resgatar Alphonse, que havia “destrocado” sua alma pelo braço de seu irmão, Edward faz novamente a transmutação humana. Mais uma vez frente a frente com seu Deus interior, ele é questionado sobre qual seria o pagamento para levar seu irmão de volta. Ed é contundente e oferece sua própria porta da verdade. Uma troca à altura, oferecer tudo para trazer Alphonse de volta, que era tudo o que ele queria desde o início de sua jornada. Abrir mão da porta é abrir mão de tudo, porque a porta é a entrada para a verdade, para infinitos conhecimentos e possibilidades, é você sendo somente um, ser tudo. Com essa troca, Edward abre mão da alquimia e de sua própria essência para ter seu irmão de volta. Fecha-se o arco do personagem e amarra magistralmente os complexos conceitos de alquimia já citados no item 6 e no item 2. O momento mais marcante de Fullmetal Alchemist.

Anúncios